Chacina de Unaí – Auditora-Fiscal de Minas diz a Mânica que “estamos livres de você!”


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
03/11/2015



Após o julgamento de Norberto Mânica e José Alberto de Castro, encerrado no dia 30 de outubro, em Belo Horizonte, com o resultado da condenação de ambos em quase 100 anos de prisão, a Auditora-Fiscal do Trabalho Líbia Doro enviou ao Sinait um texto em que afirma que a categoria e os familiares agora, estão livres de Mânica.


Líbia se vale de poemas de Chico Buarque de Hollanda e de Carlos Drummond de Andrade para dizer “Apesar de você, amanhã há de ser novo dia” e “E agora, Norberto?”. Para ela, Norberto Mânica morreu no dia 30 e que ele que fique com sua consciência.


Leia o texto:                 


E ENTÃO, MÂNICA? (Chico Buarque ou Drummond)


Líbia Doro – Auditora-Fiscal do Trabalho (MG)


Não sei se você me faz lembrar Chico Buarque ou Drummond.


Chico, talvez agora, e peço licença, para mudar o tempo do verbo. “ontem, você quem mandava, falava, tava falado, não tinha discussão, não. Nossa gente ontem andava, falando de lado e olhando pro chão, viu!  Apesar de você, amanhã há de ser novo dia.”


Medo? Não! Decepção sim. E no fundo, bem no fundo, uma descrença na justiça dos homens!


Na justiça de Deus, cremos sim, desde que Ailton, ferido de morte, conseguiu dirigir para mostrar a todos o que você fizera contra ele, ao Nelson, ao João Batista, e ao Eratóstenes.


Hoje, ainda que o sol não brilhasse, ainda que chovesse, ainda que não houvesse flores, É primavera em nós, familiares, amigos e colegas deles. “Apesar de você”!!!


Norberto, agora, para a sociedade, você é um Homicida.


Norberto, para os Auditores-fiscais do Trabalho do Brasil, você nasceu assassino!  Com a desimportância dos assassinos. Tão desimportante, que só ficou conhecido depois que cumpriu seu destino: matar.


Julgado e condenado, você agora, é apenas mais um, na população de condenados e sentenciados no Brasil. Ocupou nossas mentes, enquanto impune!  Para mim, você deixou de existir no dia 30 de outubro de 2015.


Mais uma vez, você foi pego. Estávamos escravos da sua impunidade, como o são seus empregados. Escravizar lhe é tão próprio!


Hoje, todos LIBERTOS!


Você vai demorar, para saber de liberdade, porque  você é escravo de si mesmo! Nem precisa temer a Deus. Ele não vai te julgar. Você é seu próprio juiz. Enquanto sua consciência dorme, tudo bem! Prepare-se para quando ela acordar. Aí, você vai precisar da Misericórdia d´Ele.


O que você vai fazer daqui pra frente, não nos interessa. Estamos livres de você.


Nelson, Eratóstenes, João Batista e Ailton, estão livres de você. Você não pode mais nada contra eles.


Então, peço licença a Drummomd  “E agora, Norberto, sozinho, no escuro, qual bicho do mato, sem teogonia,  sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto, que fuja a galope, você marcha, Norberto, para onde?”.


Em tempo, Norberto, escrevi o rascunho com a caneta recebida no encontro de Auditores-Fiscais do Trabalho, orgulhosos companheiros de suas vítimas.


E, agora, Norberto?

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