Chacina de Unaí – Reportagem com declarações de pistoleiros é exibida na manhã do terceiro dia de julgamento


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/10/2015



No início do terceiro dia de julgamento dos réus Norberto Mânica e José Alberto de Castro, acusados de serem mandante e intermediário da Chacina de Unaí, a acusação e defesa apresentaram peças para os jurados.


O Ministério Público Federal apresentou reportagem veiculada no programa Domingo Espetacular da Rede Record em 5 de maio de 2013, cuja manchete chamava a atenção para depoimentos inéditos dos pistoleiros e de trabalhadores das fazendas dos Mânicas, em Unaí.


“Eu só vou acabar com as perseguições aos meus negócios quando der um tiro na cabeça de Fiscal do Trabalho”, é a ameaça atribuída a Norberto Mânica, na reportagem. Um dos trabalhadores da fazenda declara na reportagem as péssimas condições de trabalho nas fazendas dos irmãos Mânica. Segundo o repórter, 60% dos trabalhadores trabalhavam na informalidade para os fazendeiros em Unaí.


“Quem vai pagar o preço dessa dor? São dolorosas gotas de impunidade”, disse emocionada a viúva do Auditor-Fiscal do Trabalho João Batista, Genir Lage, na reportagem.


Uma carta interceptada pela Polícia Federal, apresentada na matéria, traz declaração que cita o delator Hugo Pimenta feita pelo pistoleiro Rogério Alan Rocha Lima, condenado a 76 anos de prisão: “Não quero saber se foi Hugo ou Zézinho (José Alberto), agora vai ser assim...”.


Três ligações à então Subdelegacia do Trabalho no município de Paracatu (MG), onde Nelson era lotado, chamaram a atenção nas investigações. Na primeira, o interlocutor perguntava se o Nelson estava na Subdelegacia, já que ele morava em Unaí, para poder enviar flores e telemensagem. Na segunda ligação, a pessoa perguntava se todos os Auditores-Fiscais teriam morrido e, na última ligação, dava a informação da morte dos Auditores-Fiscais.


O pistoleiro Rogério Alan Rocha Rios, detalhou ao repórter os passos percorridos pelos executores e o contratante, Chico Pinheiro, “seu Chico”, até o crime. Ele afirmou que tinham sido contratados para matar o Nelson e que iriam receber mais para matar os outros servidores que estavam junto com ele na caminhonete branca do MTE.


Assista aqui https://youtu.be/kUckt9_1m1A a reportagem mostrada durante a manhã do terceiro dia de julgamento, que traz as declarações dos outros executores. Os três executores - dois pistoleiros e o motorista deles - foram condenados em 2013. O contratante Francisco Pinheiro morreu na cadeia antes do julgamento. Outro réu está em liberdade pois seu crime prescreveu.


Manifestação em solidariedade


Servidores do Judiciário Federal realizaram, na tarde desta quarta-feira, 28 de outubro, manifestação em solidariedade às vítimas do crime e pediram a condenação dos envolvidos que estão sendo julgados. Eles soltaram balões brancos e deram um abraço simbólico no prédio onde é realizado o júri popular, em Belo Horizonte.


A apresentação de peças pela defesa dos réus prosseguirá durante a tarde. Um pedido de acareação entre Hugo Alves Pimenta, réu delator que depôs ontem, e o réu José Alberto de Castro será apreciado pelo juiz Murilo Fernandes de Almeida.


No julgamento ainda haverá as fases de interrogatório dos réus e de debate entre acusação e defesa. A previsão é de que a sessão do Tribunal do Júri se estenda até esta sexta-feira, 30 de outubro.

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