Chacina de Unaí – Manobra de advogados de defesa adia início de julgamento


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
22/10/2015



Por uma clara manobra dos advogados de defesa dos réus, foi adiado para a próxima terça-feira, 27 de outubro, o julgamento que estava marcado para ter início nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 8h30, na sede da Justiça Federal, em Belo Horizonte. A sessão começou  por volta de 9h15 e às 9h50 foi anunciado o adiamento. Já são quase doze anos desde o crime e já foram apresentados mais de mil recursos que adiaram o julgamento.


O júri foi adiado pela segunda vez. A primeira, em 2013, se deu porque Norberto Mânica ingressou no Supremo Tribunal Federal - STF com um Habeas corpus  para ser julgado pela Vara Federal de Unaí e não pelo Tribunal Federal Regional da 1ª Região em BH. O pedido não foi acatado após votação no plenário da 1ª Turma do STF. 


Além de Norberto Mânica, acusado de ser um dos mandantes do crime contra três Auditores-Fiscais e um motorista do ministério do Trabalho e Emprego, ocorrido em 2004, também seria julgado José Alberto de Castro, suspeito de ter intermediado a contratação dos pistoleiros.  Os advogados alegaram que novas provas foram adicionadas ao processo sem o conhecimento prévio da defesa e pediram prazo no julgamento.


O terceiro acusado do crime, Antério Mânica, que é irmão de Norberto e também acusado de ser mandante do crime, será julgado no próximo dia 4 de novembro. 


O quarto réu Hugo Alves Pimenta, acusado de contratar os executores, teve seu processo desmembrado logo no início da sessão. Ele também seria julgado nesta quinta-feira, 22, mas seu julgamento foi adiado para o próximo dia 10 de novembro. Seu advogado de defesa, Lúcio Adolfo, pediu para que ele fosse julgado separadamente por ser réu e estar na condição de delator.


Ao se manifestarem contra o início do julgamento e ameaçarem se retirar do plenário, os advogados ouviram do juiz que se a sessão fosse adiada ele iria impor multa e passaria a defesa à Defensoria Pública. Mesmo assim, os advogados mantiveram-se irredutíveis e insistiram no adiamento, demonstrando claramente que estavam dispostos e fariam qualquer coisa pelo adiamento.


Após um longo debate em que foi proposto inclusive a retirada do vídeo do processo, por parte do Ministério Público, por não acrescentar provas contra os réus, o juiz Murilo Fernandes, concordou em adiar o início do julgamento.


Um grupo de Auditores-Fiscais do Trabalho, dirigentes do Sinait e Delegados Sindicais permaneceu mobilizado em frente ao prédio da Justiça Federal ao longo de toda a manhã pedindo justiça e julgamento já.


A presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, demonstrou revolta contra o adiamento durante entrevistas à imprensa e reiterou efusivamente que se trata de manobra jurídica. “Estamos sem palavras diante desse adiamento. Os Auditores-Fiscais do Trabalho estão revoltados e indignados com a situação. É inadmissível que isso ocorra depois de tantos anos. Eles querem o adiamento porque sabem que há provas robustas contra eles”, disse Rosa.


Apesar do crime ter sido cometido em 2004, os três primeiros responsáveis pela chacina de Unaí só foram condenados em agosto de 2013. Erinaldo de Vasconcelos Silva recebeu pena de 76 anos e 20 dias por três homicídios triplamente qualificados e por formação de quadrilha, Rogério Alan Rocha Rios a 94 anos de prisão pelos mesmos crimes e William Gomes de Miranda a 56 anos de reclusão por homicídio triplamente qualificado. Um réu já morreu e outro teve o crime prescrito.


 

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