Chacina de Unaí – CDH da Assembleia de Minas destaca o julgamento dos mandantes


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
21/10/2015



Presidente do Sinait e viúva de Auditor-Fiscal assassinado participaram da reunião da Comissão em Belo Horizonte para dizer que têm esperança na Justiça


A presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, Diretores do Sinait, Delegados Sindicais da entidade e Auditores-Fiscais do Trabalho de Minas Gerais participaram na manhã desta quarta-feira, 21 de outubro, de reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais - ALMG, que abordou o crime em que foram assassinados quatro Auditores-Fiscais do Trabalho, no município mineiro de Unaí, durante fiscalização em uma das fazendas da região.


Depois de mais de 11 anos de espera e angústia, está marcado para a manhã desta quinta-feira, 22 de outubro, em Belo Horizonte, o julgamento dos mandantes do crime conhecido como Chacina de Unaí.


Rosa Jorge lembrou que já se passaram quase 12 anos do crime e só agora deverão ser julgados os acusados de serem os mandantes do brutal assassinato. “Apesar de a Polícia Federal ter apontado os nove acusados poucos meses após o crime, cujas provas eram contundentes, os cinco executores permaneceram presos durante dez anos até serem julgados em 2013”, indignou-se a presidente.


Ela destacou que a comprovação de que as provas levantadas são contundentes é a insistente apresentação de recursos protelatórios na tentativa de evitar o julgamento ao longo desses quase 12 anos, por parte dos réus acusados de serem os mandantes. Rosa disse que o Sindicato lutou para que o julgamento dos mandantes do crime fosse feito em Belo Horizonte e não em Unaí, conforme foi reiteradamente buscado pelos réus, que seriam beneficiados.


“Acreditamos que aqui poderia ter um julgamento imparcial”, disse Rosa, que afirma que os acusados de serem os mandantes do crime, os irmãos Mânicas, tiveram o mais amplo direito de defesa, com a apresentação de mais de mil recursos. “O que nos inspira é a necessidade de Justiça. Não suportamos mais tanta demora, com tentativas de adiar indefinidamente, fazer com que o crime caísse no esquecimento, prescrevesse”, disse Rosa Maria.


A presidente disse ainda que o Sinait se comprometeu em não deixar o crime cair no esquecimento e assim foi feito, com manifestações públicas todos os anos. Segundo ela, o nome Chacina de Unaí deve-se ao fato de que os Auditores-Fiscais foram mortos vítimas de tocaia para a qual houve negociação das vidas. “Os colegas foram verificar denúncias de que lá havia exploração de trabalhadores. Foram pagos R$ 45 mil pela execução dos colegas”, informou.


Sobre as constantes ameaças sofridas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, Rosa citou alguns casos ocorridos mais recentemente, a exemplo das ameaças a Auditores-Fiscais do município de Barreiras, que ainda não cessaram. “Todos estavam exigindo o cumprimento da lei”, concluiu.


Dor


“Não podemos nos calar diante da impunidade e injustiça”. Em nome das viúvas, Marinês Lina de Laia, viúva de Eratóstenes de Almeida, expôs todo o seu sofrimento ao longo de todos esses anos. “Coloco nossa dor, indignação e decepção com a Justiça”, disse, emocionada. Segundo ela, o julgamento não é a solução, mas traz a sensação de que a Justiça foi feita, para que possa viver seu luto calada. Criticou a demora da Justiça, que prorrogou o luto das famílias.


O presidente do Instituto Mineiro de Relações do Trabalho, Carlos Calazans, também cobrou a necessidade de Justiça para os mandantes do crime, quase 12 anos após a chacina. Ele lembrou que os executores, mesmo após tantos anos, foram julgados,  condenados e permanecem presos, e que espera que o julgamento que terá início nesta quinta-feira, 22 de outubro, leve à condenação os acusados de terem mandado e articulado o bárbaro crime.


O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Cristiano Silveira (PT), disse que a expectativa é de que o julgamento ocorra e que seja feita Justiça. O deputado Professor Neilvado (PT), também ressaltou a importância do momento desse julgamento.


Participaram da reunião na ALMG, além da presidente do Sinait, a Diretora Ana Palmira Arruda, os Delegados Sindicais Maria da Paz Bezerra do Nascimento (PB) e Henrique Fiorentino (MG) e Auditores-Fiscais do Trabalho de Minas Gerais.

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