RJ: Mais trabalho escravo no Rock in Rio


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/09/2015



 As ações de fiscalização no Rock in Rio revelaram precariedade na contratação dos empregados. Além de trabalhadores migrantes, trazidos de outros Estados, encontrados dormindo em papelões https://www.sinait.org.br/noticia/11797/na-midiafiscalizacao-no-rock-in-rio-encontra-trabalho-degradante, Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram, no domingo, 27 de setembro, último dia do evento, no Rio de Janeiro, mais 17 trabalhadores submetidos a situação análoga à escravidão.


 Foi apurado, nos depoimentos, que os trabalhadores eram do Rio de Janeiro e São Paulo, contratados para atuar como ambulantes, terceirizados, no espaço do evento para a empresa “Batata no Cone”. A promessa era de ganhos de mais de mil reais por dia do evento. Eles ganhavam R$ 2,00 por produto vendido, que custava R$ 14,00. Não tinham Carteira de Trabalho assinada e nenhum dos direitos decorrentes estava assegurado. Alguns trabalhadores, ao final, estavam devedores da empresa, por não terem vendido todos os produtos.


 Os documentos dos trabalhadores estavam retidos pela empresa. Eles próprios pagaram as passagens para ir trabalhar e também os atestados médicos. Além disso, estavam submetidos a jornada exaustiva e não recebiam alimentação. O alojamento, eles tiveram que pagar também, cerca de R$ 200,00, numa casa que não tinha condições de higiene. Os trabalhadores dormiam no chão, numa comunidade próxima ao evento.


 Na segunda-feira, 28, foram feitas as rescisões dos contratos, o pagamento das verbas indenizatórias e a entrega das guias de Seguro-Desemprego especial para trabalhadores resgatados, que consiste em três parcelas de um Salário Mínimo.


 Denúncias e irregularidades


A verificação de outras denúncias levou Auditores-Fiscais do Trabalho à constatação de mais infrações trabalhistas cometidas na realização do Rock in Rio.


 Na rede Bob’s os ambulantes carregavam mercadorias de forma irregular, sem meios adequados.


 Também foram verificados problemas no acesso de técnicos às torres de iluminação do Palco Mundo, o maior do evento, em que se apresentaram os principais artistas.


 Vários trabalhadores que prestavam serviço de limpeza para a empresa Sunset estavam sem registro em Carteira de Trabalho, não receberam vale-transporte e equipamentos de segurança. Eles trocavam a roupa no estacionamento do Rock in Rio, já que a empresa não disponibilizou vestiário para eles.


 Segundo informações dos Auditores-Fiscais, as empresas foram notificadas e serão autuadas pelas irregularidades encontradas.


 Voz do Brasil


As fiscalizações e resgates de trabalhadores foram destaque na imprensa em todo o país. Nesta segunda-feira, 28, a Auditora-Fiscal do Trabalho Márcia Albernaz de Miranda, que participou das ações, foi entrevistada no programa A Voz do Brasil, da Empresa Brasileira de Notícias – EBC.


 Ouça a matéria dentro do programa de rádio A Voz do Brasil. 


 

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