Artigo avalia a necessidade de estratégias de luta para servidores no próximo governo


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
28/10/2014



Em seu Artigo “O servidor público e o segundo governo Dilma”, o jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, faz um alerta aos servidores em relação à necessidade de pressão em busca de melhorias e para evitar maiores dificuldades. Segundo Queiroz, é fundamental que se organize estratégia para enfrentar os próximos quatro anos, que prevê, serão difíceis para os servidores.


No mandato do atual governo que se encerra no próximo mês de dezembro, os servidores amargaram reajustes abaixo da inflação, o que levou à redução do seu poder de compra e à precarização das condições de trabalho, seja pela falta de pessoal, como pela deterioração dos ambientes de trabalho. 


O analista recomenda que os servidores e suas entidades organizem agendas positiva e reativa para enfrentar problemas que se arrastam sem soluções e outros que deverão surgir e precisarão ser combatidos.


O Sinait, além dos alertas feitos por Toninho, destaca a dificuldade adicional que a entidade e todo o conjunto dos servidores e dos trabalhadores terão no Congresso Nacional. A bancada sindicalista foi reduzida praticamente à metade e a empresarial e conservadora cresceram. Os esforços pela aprovação de matérias favoráveis aos servidores e pela rejeição daquelas que reduzem direitos terão que ser redobrados. Rosa Jorge, presidente do Sinait, comenta que “o Sindicato está, como sempre esteve, pronto para a luta”.


Leia o artigo:


27-10-2014 - Diap


O servidor público e o segundo governo Dilma


Antônio Augusto de Queiroz - Jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap


O alerta tem o propósito de contribuir para a montagem de estratégia para enfrentar os próximos dois anos, que certamente serão difíceis para os servidores.


O servidor público e suas entidades representativas vão precisar intensificar a pressão sobre o governo da presidente Dilma para evitar que seus direitos e vantagens sejam congelados ou escolhidos como variável do ajuste que virá nos dois primeiros anos da nova gestão.


Todos sabemos que a presidente, em razão das políticas anticíclicas adotadas para amenizar os efeitos negativos da crise internacional sobre o País, terá que promover ajustes nas contas públicas, de um lado atualizando as tarifas públicas represadas nesse período e, de outro, cortando gastos correntes, tanto para equilibrar as contas públicas, quanto para evitar novas altas nas taxas de juros.


Registre-se, por dever de justiça, que qualquer presidente que fosse eleito teria que promover tal ajuste. Os compromissos políticos e ideológicos do governante e de suas equipes é que definiriam a amplitude e intensidade do ajuste, bem como quem ou que setores escolher como variável do ajuste.


O objetivo a ser perseguido é que o aumento das tarifas públicas se dê de forma gradual, para não sufocar o orçamento das famílias, e o ajuste nas contas públicas seja seletivo, preservando os programas sociais, os investimentos em infraestrutura, e assegurando, inclusive com reposição das defasagens, o poder de compra dos salários dos servidores, que têm caráter alimentar.


Tudo leva a crer que haverá uma grande disputa na sociedade e no interior do governo para se proteger dos cortes, e os servidores e suas entidades precisam agir preventivamente. Devem buscar interlocução e diálogo com a equipe que se relaciona com as entidades de servidores (MPOG, Casa Civil e Secretaria-Geral da Presidência) e pressionar as autoridades, sob pena de mais uma vez serem escolhidos como variável do ajuste.


Nesse diapasão, os servidores e suas entidades devem organizar uma agenda positiva, de caráter propositivo, e outra negativa ou reativa para poder orientar sua estratégia nessa disputa.


A agenda positiva deve consistir, entre outras questões: 1) na imediata regulamentação da Convenção 151 da OIT, que trata da negociação das condições de trabalho no serviço público, 2) na defesa de uma política salarial permanente, que reponha anualmente o poder de compra dos salários, 3) na reposição dos efetivos das carreiras, promovendo os concursos públicos necessários à recomposição de quadros, sem terceirização em funções típicas de servidor público de carreira, 4) na regulamentação do artigo 37, inciso V, da Constituição para limitar as situações de livre provimento, com valorização dos servidores de carreira na ocupação dos cargos comissionados; 5) na isonomia de vencimentos e benefícios dos servidores dos três poderes da União, e 6) na aprovação da PEC 555/06, que extingue, de forma gradual, a contribuição dos aposentados e pensionistas do serviço público.


Já na agenda reativa, os servidores e suas entidades devem, por todos os meios, evitar que quatro ameaças se concretizem no próximo governo: 1) o desmonte do Aparelho de Estado, seja substituindo contratação por terceirização, seja substituindo órgão estatais por organizações sociais, serviços sociais autônomos ou ONGs, na prestação de serviços públicos, 2) a aprovação do PLP 92/07, que trata das fundações estatais; 3) a aprovação do PLP 248/98, que trata da dispensa por insuficiência de desempenho; e 4) a aprovação dos PLPs 1/07 e 549/09, que limitam o aumento do gasto com pessoal, a fim de evitar o crescimento de sua participação relativa na despesa. Ambos estão em discussão na Câmara.


O alerta tem o propósito de contribuir para a montagem de estratégia para enfrentar os próximos dois anos, que certamente serão difíceis para os servidores. As reflexões deste texto são produto da experiência, da análise de fatos, dados e informações disponíveis. Trata-se, portanto, de análise isenta e feita considerando desde questões relacionadas às finanças públicas, passando por autoridades que tratam dos assuntos de pessoal (MPOG e Casa Civil) até documentos e declarações oficiais.


 

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