O Comitê Organizador do Prêmio Nobel anunciou na manhã desta sexta-feira, 10 de outubro, os ganhadores do Nobel da Paz. O indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay foram os escolhidos pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação.
Kailash, que tem 60 anos, é um conhecido ativista da luta contra o trabalho infantil. Em 1998 fundou a Marcha Global contra o Trabalho Infantil, que percorreu todo o mundo. Malala, que tem apenas 17 anos e tornou-se a mais jovem a ganhar o prêmio, sobreviveu a uma tentativa de assassinato dos talibãs em 2012 por sua militância a favor da educação das meninas em sua região natal do noroeste do Paquistão. Hoje ela vive na Inglaterra.
O ativista indiano Kailash Satyarthi já esteve várias vezes no Brasil em eventos alusivos à luta contra o trabalho infantil. A última foi em 2013, há exatamente um ano, na III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, promovida pela Organização Internacional do Trabalho – OIT. Em declaração depois de ser informado sobre o prêmio, ele disse que o Comitê reconheceu o sofrimento de milhões de crianças. Ele é um símbolo mundial da luta e um ícone em seu país, um dos mais atingidos pelo problema do trabalho infantil. Inspirado em outro indiano, Mahatma Gandhi, organiza campanhas de conscientização com protestos que seguem os modelos pacíficos do líder.
Para se dedicar a esta luta, Kailash abandonou a carreira de engenheiro e, nos últimos 25 anos, conseguiu salvar dezenas de milhares de crianças e adultos mantidos em regime de escravidão, sobretudo em fábricas indianas, onde estavam em condições miseráveis e com longas jornadas de trabalho.
Ele já ganhou outros prêmios por seu trabalho, como o prêmio espanhol Alfonso Comin; o galardão internacional Frederic Ebert, na Alemanha; e o Prêmio Internacional dos Direitos Humanos Robert F. Kennedy.
Vários Auditores-Fiscais do Trabalho já estiveram com o indiano, em eventos sobre o trabalho infantil. No ano passado, Marinalva Cardoso Dantas (RN), que tem mais de 20 anos de dedicação a essa luta, foi uma delas, na III Conferência Global, em Brasília.