25 Nov

37º Enafit – Auditoria-Fiscal dialogou com comunidade sobre gestão de riscos ocupacionais

Publicada em: 25/11/2019

Por Nilza Murari 

Como já se tornou tradição no Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho, a 37ª edição do evento reservou um momento para o diálogo com a comunidade. Este ano, em Aracaju, o tema escolhido foi a Gestão de Riscos Ocupacionais, para um público de profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho – SST. Foram cerca de 130 pessoas que vieram ouvir o Auditor-Fiscal do Trabalho José Augusto da Fonseca, na manhã de segunda-feira, 18 de novembro. 

A saudação inicial coube ao presidente do SINAIT, Carlos Silva, que ressaltou a importância de manter esse espaço de formação e contato direto com a comunidade e profissionais que lidam com a segurança no trabalho. É uma forma de interagir e também de multiplicar o conhecimento, qualificar e atualizar informações da área. Por isso, o Sindicato Nacional faz questão de incluir esse momento na programação dos Encontros Nacionais. 

De acordo com o monitor, o curso foi focado em três pontos – o que é risco e o que é perigo, quais os fatores de risco à luz da higiene ocupacional, e a gestão baseada nas Normas Regulamentadoras e normas internacionais – as chamadas ISSO –, normas de gestão de segurança e saúde do trabalho, norma específica para diretrizes de gestão de riscos e técnicas de análise de risco. 

A exposição abordou também o Programa de Gerenciamento de Risco – PGR que identifica o risco, faz a análise, avalia o que deve ser tratado e faz o tratamento propriamente dito, adotando medidas de controle. Para isso, há todo um arcabouço técnico que fala do gerenciamento de risco dentro das empresas. 

O engenheiro de segurança Jodeci Souza da Silva afirmou que participar do curso é “uma forma de estar atento às mudanças de normas, estar com a cabeça aberta e trocar informações. Com o passar do tempo, a tendência do ser humano é cair numa zona de conforto. Isso não é bom. Esses eventos abrem os horizontes, porque as mudanças vão continuar ocorrendo e precisamos estar por dentro de tudo”. Ele também é engenheiro mecânico e perito em gestão ambiental. 

Sempre em busca de informações, a engenheira de segurança Laís Donald, que trabalha em uma empresa de construção em Aracaju, disse que “na nossa área a gente não para nunca de estudar, não para de precisar se atualizar, se ambientar, sobretudo em se tratando de gerenciamento de risco. Porque muda o cenário, muda o tipo de risco, a gente tem que fazer novamente análise e pesquisa pra poder buscar sempre a neutralização do risco”. Disse também que os Auditores-Fiscais do Trabalho são uma fonte inesgotável de aprendizado e transferência de informação.  

Participação

José Augusto ressalta a grande participação e a interação das pessoas, que fizeram perguntas, colocaram dúvidas e levantaram temas variados e atuais, como a terceirização que impacta na gestão de riscos, precariza o meio ambiente de trabalho se não for devidamente tratada. A percepção é de que acidentes acontecem mais com terceiros do que com os empregados diretos. 

Arilda Guedes Madureira, da Comissão Organizadora do 37º Enafit, avalia que há muitas pessoas que estão precisando de informação e que os que participaram serão multiplicadores das informações passadas. “Segurança no trabalho é uma prática do dia a dia, não existe segurança estática. Foi produtivo e com participação significativa”. 

Arrematando o curso, José Augusto observa que, mesmo diante da realidade de uma revisão bastante radical que está sendo promovida nas NRs, há formas de adotar a gestão de riscos e proteger os trabalhadores e o meio ambiente de trabalho. “Independente da existência ou não das NRs, o Brasil está inserido no mundo. As normas internacionais vão dar embasamento para a gestão de risco. Em geral, o que está na NR também está numa determinada norma internacional. O fundamental é que a gestão de risco não seja tocada somente por um técnico, um engenheiro ou um médico. O comprometimento do empresário, do supervisor, do gerente, na preocupação com isso, com sua pele no negócio, é que vai fazer diferença. É um assunto que envolve não só o sofrimento de terceiros, mas também causa um custo ao Estado brasileiro”.​