MG: Fiscalização Trabalhista interdita fábrica de bombas após explosão


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
21/07/2014



A fiscalização trabalhista interditou na quinta-feira passada, 17 de julho, a fábrica de fogos de artifício Globo, em Santo Antônio do Monte, no centro-oeste de Minas Gerais, onde ocorreu uma explosão no dia 15 de julho, que matou quatro mulheres. A fábrica está impedida de produzir novos explosivos. A decisão foi tomada pela seção de Saúde e Segurança do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais – SRTE/MG.


De acordo com um dos Auditores-Fiscais do Trabalho responsáveis pela inspeção, Marcos Botelho, eles interditaram as atividades exercidas durante o momento do acidente, entre estas, a de enchimento, bicação, ornamentação e descargas de bombas numeradas tipo “batom”.


Na tarde desta segunda-feira, 21 de julho, o empregador vai à sede da SRTE/MG apresentar os documentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, como o que comprova a capacitação dos trabalhadores acidentados para trabalhar com material explosivo e atestado de saúde das vítimas, entre outros. Segundo Marcos Botelho, somente após a análise desses documentos é que serão lavrados os autos de infração necessários e elaborado o relatório final. Ele informou que nos próximos quinze dias a fiscalização trabalhista emitirá o seu laudo concreto sobre as causas do acidente.


O Auditor-Fiscal também informou que há seis anos um outro acidente nesta mesma fábrica matou um trabalhador. Por isso, eles vão confrontar as irregularidades constatadas atualmente com as apontadas anteriormente, para averiguar se erros do passado voltaram a ser praticados e se isso interferiu no novo acidente.


“O local vai continuar fechado até o empregador construir um novo galpão. Após a conclusão da obra, o proprietário terá que pedir a suspensão da interdição. Mas antes, o projeto de construção tem que ser aprovado pelo Exército”, informou Botelho.


Até o momento, os Auditores-Fiscais levantaram algumas irregularidades que dão pistas sobre as causas da explosão. O chefe do setor de Saúde e Segurança do Trabalho da SRTE/MG, Francisco Alves dos Reis Júnior, ressalta que "não existe acidente de causa única" e que vários fatores podem ter contribuído para desencadear a tragédia. “Algumas coisas já foram verificadas. Temos indícios de que o setor guardava uma quantidade de explosivos acima do permitido. Mas a questão da umidade na cidade também pode ter contribuído para o que aconteceu”.


Segundo ele, a empresa deverá ser multada. Cada irregularidade cometida pela fábrica pode ser punida com pagamento de R$ 600 a R$ 4 mil.


O caso


O acidente aconteceu na última terça-feira, 15 de julho, por volta de 7h30. Ainda não se sabe as causas da explosão e, de acordo com o Corpo de Bombeiros, a empresa estava com toda a documentação regularizada junto à corporação. Um homem ficou ferido, foi socorrido para o hospital e já recebeu alta. Quatro mulheres que trabalhavam no local morreram.


Santo Antônio do Monte tem cerca de 25 mil habitantes e 15 mil trabalham direta ou indiretamente para a indústria de fogos de artifício. A cidade é um polo de fabricação de fogos e explosivos e vem sendo constantemente fiscalizada por Auditores-Fiscais, em razão do alto risco da atividade.


 

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