Um pedido de JUSTIÇA ecoou esta semana em várias partes do Brasil. A Chacina de Unaí completou dez anos no dia 28 de janeiro sem a conclusão do julgamento. Para mostrar toda a indignação e a dor das famílias e colegas dos Auditores-Fiscais do Trabalho e do motorista do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE assassinados, o Sinait e Delegacias Sindicais da entidade nos Estados realizaram Atos Públicos com o objetivo de protestar contra a impunidade.
A Chacina de Unaí aconteceu em 2004, quando os Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram executados com tiros na cabeça durante uma emboscada. Eles estavam realizando uma fiscalização rural no município de Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Os acusados de serem os mandantes, os irmãos Antério e Norberto Mânica, ainda não foram julgados.
Em Brasília, cerca de 200 pessoas participaram do Ato Público organizado pelo Sinait em frente ao Supremo Tribunal Federal – STF. O local foi escolhido porque a Corte analisa um pedido de Habeas corpus impetrado pelos réus pedindo que o julgamento seja transferido para a Vara Federal de Unaí, onde têm grande influência política e econômica. O pedido vai contra uma decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, de manter o júri em Belo Horizonte.
Auditores-Fiscais do Trabalho convocados pelas Delegacias Sindicais do Sinait no Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Rondônia também realizaram Atos Públicos para pedir o fim da impunidade e protestar por melhores condições de trabalho. A maioria das manifestações foi em frente às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego dos Estados.
A programação em Belo Horizonte foi em 27 de janeiro. O presidente da Associação dos Auditores-Fiscais do Trabalho de Minas Gerais – AAFIT/MG, José Augusto de Paula Freitas, acompanhado de Carlos Calazans – ex-Delegado Regional do Trabalho em Minas, e de Genir Lage e Marinês Lina de Laia – viúvas de João Batista e Eratóstenes, estiveram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais - ALMG. O grupo foi fazer uma visita à Comissão de Direitos Humanos - CDH e foi recebido pelo deputado estadual Rogério Correia (PT/MG), integrante da Comissão.
Em Salvador (BA), os Auditores-Fiscais pararam o trânsito para mostrar faixas pedindo justiça pelo caso e em protesto contra o sucateamento do Ministério do Trabalho e Emprego. O Ato Público em Fortaleza (CE) contou com a participação de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. Em São Luís (MA), os Auditores-Fiscais se reuniram na Associação dos Auditores-Fiscais do Trabalho no Maranhão – Aitema para marcar o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e os dez anos da Chacina de Unaí.
Na capital matogrossense - Cuiabá, o Ato Público “Impunidade gera Trabalho Escravo” foi realizado pela Delegacia Sindical do Sinait – DS/MT e pelo Ministério Público do Trabalho - MPT no auditório da Procuradoria-Geral do Trabalho. Presentes representantes de entidades e de órgãos públicos, servidores administrativos da SRTE/MT e Auditores-Fiscais do Trabalho.
Na SRTE/PR, em Curitiba, os Auditores-Fiscais se mobilizaram e permaneceram no local por uma hora para que o julgamento se realize em Belo Horizonte (MG). Em Recife (PE), além de pedirem o fim da impunidade, os Auditores-Fiscais denunciaram a falta de segurança que enfrentam durante as operações.
Em Teresina (PI) e em Porto Velho (RO), os Auditores-Fiscais e os servidores administrativos se uniram para pedir pressa na conclusão do julgamento e por melhores condições de trabalho. No Pará, os Auditores-Fiscais paralisaram suas atividades na SRTE/PA por uma hora para protestar contra a demora da Justiça em punir os responsáveis pela Chacina.