Durante o evento de lançamento da campanha “MPF no Combate ao Trabalho Escravo”, promovido pelo Ministério Público Federal - MPF, na tarde desta terça-feira, 28 de janeiro, houve um momento de manifestação pelos dez anos da Chacina de Unaí. Quebrando o protocolo da solenidade, Carlos Calazans, que ocupava o cargo de Delegado Regional do Trabalho em Minas Gerais (hoje, Superintendente Regional do Trabalho e Emprego) na época do crime, chamou a atenção de todos para a data. A presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, e as viúvas dos Auditores-Fiscais mortos em Unaí também se manifestaram e foram aplaudidas pelos presentes.
A manifestação foi um protesto contra a demora no julgamento dos acusados de serem os mandantes da chacina.
A presidente do Sinait elogiou a iniciativa e disse que os Auditores-Fiscais do Trabalho continuam sofrendo ameaças, mas estão cumprindo seu papel. “O trabalhador espera de todos nós que cada um cumpra o seu papel na sua esfera de atuação”. Rosa Jorge disse ainda que o Ato Público realizado na manhã do mesmo dia, em frente ao Supremo Tribunal Federal – STF, pretendeu mostrar a indignação dos Auditores-Fiscais do Trabalho com a demora no julgamento dos mandantes.
Rosa Jorge explicou a atual situação do caso, em que somente três acusados foram julgados, em agosto de 2013, e que mais um recurso apresentado pelos acusados de serem os mandantes adiou o julgamento que estava marcado para 17 de setembro de 2013. “Entendemos que quem teme é porque deve. Dez anos é muito tempo e queremos que se faça Justiça”.
Ameaças
As ameaças frequentemente registradas contra Auditores-Fiscais, segundo a presidente, encontram abrigo na impunidade de um dos casos mais emblemáticos contra agentes de Estado no cumprimento de suas funções. Ela citou um episódio recente em que um Auditor-Fiscal do Trabalho foi espancado por proprietários de uma empresa do ramo da construção civil e as punições foram brandas. “Esse clima de impunidade traz insegurança e para nós, Auditores-Fiscais do Trabalho, um constrangimento terrível, ao fiscalizarmos algumas empresas”. Rosa ressaltou o fato de que a morte dos colegas não pode ter sido em vão, que todos devem estar sujeitos à lei e ninguém pode estar acima dela, como os mandantes acham que estão.
A presidente enfatizou ainda que o julgamento deve ser realizado na 9ª Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte e não na Vara de Unaí, como querem os réus acusados de serem mandantes do crime. No município, esclareceu a presidente, os acusados são detentores de forte poder econômico e influência política. “O objetivo é claro e não podemos permitir que isso aconteça. Queremos um julgamento isento para que tenhamos a sensação de que realmente foi feita justiça”.
Uma das viúvas presente, Helba Soares, pediu que a justiça seja forte e que realmente seja feita. “Pedimos ajuda a todos nessa tarefa árdua e que o julgamento seja breve e realizado em Belo Horizonte”, clamou Helba, viúva do Auditor-Fiscal Nelson José da Silva. Ela ainda mora em Unaí. Genir Lage e Marinês Lina de Laia também acompanharam a manifestação.