Durante operação na zona rural da cidade de Serra Branca, na Paraíba, Auditores-Fiscais do Trabalho retiraram 21 trabalhadores de condições análogas às de escravos. Eles atuavam no desmonte de rochas minerais
Durante operação na zona rural da cidade de Serra Branca, na Paraíba, Auditores-Fiscais do Trabalho retiraram 21 trabalhadores de condições análogas às de escravos. Eles atuavam no desmonte de rochas minerais para extração de granito e moldagem manual de paralelepípedos, não tinham a Carteira de Trabalho assinada, estavam sem Equipamentos de Proteção Individual - EPIs e ganhavam por produtividade. A ação foi realizada em conjunto com o Ministério Público do Trabalho – MPT e com a Polícia Rodoviária Federal – PRF de 5 a 15 de novembro de 2013.
De acordo com o Auditor-Fiscal Benedito Lima, os trabalhadores manuseavam explosivos sem o devido treinamento. As áreas de mineração com atividades operacionais não possuíam sinalização de segurança e identificação da empresa nas entradas e demais acessos. Não existia plano de fogo, supervisão técnica de um profissional habilitado para fazer manutenção técnica da mina e nem Programa de Gerenciamento de Riscos.
Condições Degradantes
Os trabalhadores vieram de cidades vizinhas a Serra Branca. Não tinham água potável no local de trabalho, alojamento adequado, espaço para realizar refeições, material de primeiros socorros, não passaram por avaliação médica e exames admissionais. Todos eles receberam R$ 60 mil em verbas trabalhistas e indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 10 mil.
Benedito explicou ao Sinait que foram lavrados 16 autos de infração contra a empresa. “O empregador também irá responder criminalmente pelo crime de reduzir trabalhador a condições análogas às de escravos”, completou.
A empresa firmou Termo de Ajuste de Conduta com o MPT, com acordo extra-judicial para efetuar contra prestação em benefício da sociedade local.
Riscos
De acordo com Benedito, a principal dificuldade durante a operação foram os deslocamentos por estradas vicinais. “Mas o acompanhamento da PRF com sua tropa de elite do Núcleo de Operações Especiais minimiza os riscos”. Para ele, as fiscalizações de combate ao trabalho análogo à escravidão em todo Brasil são importantes para restaurar a dignidade dos trabalhadores quando há desvios por parte do empregador.