A presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, e o vice-presidente Carlos Silva se reuniram nesta segunda-feira, 20 de janeiro, com o Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner e com o padre Ari Antônio dos Reis, com objetivo de convidá-los para o Ato Público pelos dez anos da Chacina de Unaí, que será realizado no dia 28 de janeiro, Dia Nacional do Auditor-Fiscal do Trabalho e Dia e Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. O encontro foi na sede da CNBB em Brasília.
O crime aconteceu no dia 28 de janeiro de 2004. Três Auditores-Fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE foram brutalmente assassinados durante uma fiscalização rural no município de Unaí, no Noroeste de Minas.
Para Rosa Jorge, o apoio da CNBB é muito importante. “Nossa categoria precisa unir forças com outras instituições e entidades da sociedade civil para que não aceitemos calados a impunidade”. Ela explicou a Dom Leonardo que os executores do crime foram condenados no ano passado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Belo Horizonte. “Porém, ainda depende da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal - STF se os mandantes serão julgados em BH ou pela Vara Federal de Unaí e não há data prevista para a decisão sair”.
O Secretário-Geral confirmou a presença de representantes da CNBB na manifestação que será realizada em frente ao STF. Também afirmou que a instituição irá lembrar os 10 anos do crime e a necessidade da conclusão do julgamento em nota que será divulgada no dia 28.
Campanha da Fraternidade
Este ano, a Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB desde a década de 1960, será sobre o tráfico humano. Com o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, a Igreja pretende discutir o assunto com a sociedade durante todo o período da Quaresma, a partir da Quarta-Feira de Cinzas, 5 de março.
Segundo Dom Leonardo, o tema é delicado, porém, escandaloso e precisa ser denunciado. “Não é só uma questão religiosa, mas também social”. De acordo com ele, não se pode permitir que seres humanos sejam submetidos a condições análogas às de escravos, o destino de muitas pessoas que são vítimas do tráfico humano no Brasil.
Rosa Jorge afirmou que o Sinait apoia a causa e representa a categoria que tem prerrogativa legal para constatar e combater o trabalho escravo por meio das operações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel que resgatam os trabalhadores encontrados nessas condições. A presidente também disse que a entidade se coloca à disposição para ajudar com dados, números, vídeos, fotos e outras informações.
O padre Ari Reis explicou que além do trabalho escravo, a Campanha da Fraternidade pretende provocar reflexão da sociedade sobre outras consequências do tráfico humano: a exploração sexual, incluindo de crianças e adolescentes, e o tráfico de órgãos.