Série de quatro reportagens ouvir Auditores-Fiscais do Trabalho e especialistas sobre o tema do trabalho infantil. Santa Catarina, apesar da alta qualidade de vida, é um dos Estados com maior incidência de trabalho infantil no país
O Sinait divulga o portal organizado pelas jornalistas Jéssica Melo e Jéssica Butzge, em que elas denunciam, numa série de reportagens intitulada “Não é brincadeira – o trabalho infantil que Santa Catarina não vê”, em áudio, a realidade de meninos e meninas que trabalham no interior do Estado. O projeto foi elaborado e apresentado como trabalho de conclusão de curso no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
De acordo com as jornalistas Melo e Butzge, a plataforma rádio foi escolhida em função de sua abrangência, uma vez que o veículo chega ao público das zonas rurais, cujas áreas possuem os mais altos índices de trabalho infantil no Estado.
Apesar de Santa Catarina ser conhecida pela qualidade de vida que proporciona aos seus moradores, com índices de alfabetização, emprego e renda per capita superiores à média nacional, os números são contraditórios quando se fala do trabalho precoce infantil.
Dos 100 municípios com maior indicador de trabalho infantil de crianças entre 10 e 14 anos, 32 estão em Santa Catarina. O município de Novo Horizonte é apontado como o maior em número de crianças trabalhando no país – 72,91%. Os dados são do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
O número de crianças e adolescentes ocupados na faixa etária de 10 a 17 anos em SC é de 160.140, o que representa um índice de 18,9%, o mais alto do país. Nesta idade, os dez maiores percentuais do Brasil foram verificados nos municípios de Novo Horizonte/SC (73,7%); Novo Xingu/RS (72,2%); Itapuca/RS (71,2%); Bozano/RS (68,5%); Ubiretama/RS (66,7%); Lagoa Bonita do Sul/RS (65,5%); Xavantina/SC (65,3%); Cunhataí/SC (65,2%); Sério/RS (63,5%) e Manari/PE (63,5%).
Com base nesta realidade, as reportagens discutem o trabalho infantil sob várias vertentes. O objetivo foi o de expor o assunto com mais profundidade do que normalmente acontece na mídia nacional. Os programas debatem a exploração econômica e a vulnerabilidade social, a contratação irregular de crianças e adolescentes e o contexto cultural que envolve o tema.
Os programas são divididos em quatro reportagens: Trabalho infantil e do adolescente; Consequências do trabalho infantil; Tentativas de erradicação, e O aprendiz em Santa Catarina.
O primeiro programa “Trabalho infantil e do adolescente” mostra a realidade de crianças do município de Novo Horizonte, que possui o maior índice de menores trabalhando no país – 72,91%. O programa “Consequências do Trabalho Infantil” discorre sobre as atividades que prejudicam o desenvolvimento físico e intelectual da criança em que constam comentários de profissionais de Pedagogia, Psicologia e Medicina.
Na terceira reportagem, “Tentativas de Erradicação”, foram ouvidos Auditores-Fiscais do Trabalho. A Auditora-Fiscal Lilian Carlota Rezende, diretora de Inspeção do Trabalho do Sinait, fala de suas fiscalizações numa área de colheita da erva mate na região. A Auditora-Fiscal Inge Rank, coordenadora do projeto de Fiscalização do Trabalho Infantil na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Santa Catarina – SRTE/SC, apresenta as dificuldades da fiscalização no combate ao problema no Estado. O Auditor-Fiscal Dilnei Eidt, de Chapecó, relata o contexto de exploração que, muitas vezes, acontece dentro do próprio núcleo familiar e fala do número reduzido de Auditores-Fiscais para atender à demanda de trabalho.
A última reportagem da série, “O aprendiz em Santa Catarina”, descreve o programa do Jovem Aprendiz e traz entrevistas com agências de integração, jovens aprendizes e responsáveis pela fiscalização no Estado.
As quatro reportagens podem ser ouvidas aqui.
Com informações do portal “Não é brincadeira”.