BA: Auditores-Fiscais do Trabalho analisam grave acidente com gari


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
20/01/2014



Gari teve as pernas imprensadas entre carro de passeio e caminhão de coleta e acabou tendo uma das pernas amputada
 
No dia 16 de janeiro, um gari, na cidade de Salvador (BA), teve a perna amputada em consequência de um acidente de trabalho. Um carro de passeio perdeu o controle da direção e bateu na traseira de um caminhão coletor e esmagou as pernas do gari. O motorista do veículo fugiu do local sem prestar socorro.
 
Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia – SRTE/BA estão analisando o acidente. Segundo o Auditor-Fiscal Flávio Oliveira Nunes, chefe do Setor de Segurança e Saúde, as empresas responsáveis pela coleta do lixo serão convocadas para uma reunião e orientadas a equipar os caminhões com dispositivos de segurança que não são usados atualmente. Um dos dispositivos poderá ser uma barreira fixa na parte traseira do caminhão, que impede o choque direto com as pernas do trabalhador.
 
Flávio informa que o setor de coleta de lixo não é frequentemente fiscalizado. A principal razão é o pequeno número de Auditores-Fiscais na SRTE/BA. Os setores prioritários são a construção – tanto na parte da construção civil como na infraestrutura -, o metalúrgico e metalmecânico, de transportes e de saúde. Outros setores, como este de coleta de lixo, são atendidos por demanda, como o acidente ocorrido na sexta-feira.
 
Os garis estão expostos a muitos tipos de acidentes. Os mais comuns são acidentes com material perfurocortante e exposição a agentes nocivos, caracterizando o risco biológico. Casos graves como o da amputação de perna, segundo Flávio, não são constantes.
 
Veja, abaixo, matérias relativas ao caso.
 
17-1-2014 – Tribuna da Bahia


Gari imprensado em caminhão do lixo tem perna amputada


Salvador/BA - O gari Raimundo Souza que teve as pernas esmagadas em um acidente na manhã de quinta-feira (16), na Rua Carmem Miranda, bairro da Pituba, em Salvador, precisou ter uma das pernas amputadas durante o procedimento cirúrgico na manhã de sexta-feira (17).

O acidente aconteceu quando a motorista de um veículo Polo, que não teve a identidade revelada, perdeu a direção e bateu na traseira de um caminhão de lixo, da empresa Revita Engenharia Sustentável. Raimundo foi socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e encaminhado ao Hospital Geral do Estado.

De acordo com a polícia, a motorista ainda não se apresentou para prestar depoimento. A partir do depoimento dela será dado inicio às investigações, que vão ficar a cargo da 16ª Delegacia Territorial.
 
20-1-2014 – Tribuna da Bahia


Na Bahia, garis temem imprudência de motoristas


Salvador/BA - Faça sol ou faça chuva, lá estão eles, varrendo ou coletando ou lixo da cidade. No entanto, os garis, profissionais tão importantes no nosso dia, nem sempre são valorizados. Além de vulneráveis a perfurações, cortes e mau cheiro, os profissionais  estão expostos a quedas e atropelos e alegam que a falta de conscientização da população no trânsito, com motoristas cometendo imprudências diariamente, é uma das principais causas de acidentes nas ruas.

Na semana passada, o gari Raimundo de Souza, de 38 anos, foi prensado por um veículo quando trabalha numa rua no bairro da Pituba, e, apesar de ter siso levado ao hospital, teve a perna amputada. A pessoa que dirigia o automóvel fugiu sem prestar socorro.

Porém, de acordo com o diretor de saúde do Sindicato dos Empregados de Limpeza (Sindilimp), Edson Conceição, esse não é um fato isolado. Ele cita que no ano passado o sindicato registrou três casos de atropelos nos bairros de Pernanbués, Imbuí e Pituba. Segundo Conceição, o número só não é maior porque muitos profissionais não denunciam o caso ao sindicato. Também são contabilizadas cerca de 20 queixas por mês referentes a outros tipos de lesões, como queda ou cortes com objetos perfurantes.

Outro problema apontado pelo sindicalista foi referente à situação de irregularidade por parte de algumas empresas terceirizadas que, além de não disponibilizar o equipamento de segurança necessário, na maioria das vezes não assinam a carteira de trabalho dos profissionais.

"Temos muitos casos de trabalhadores que sofreram  acidentes durante a atividade e  não puderam ser cobertos pelo INSS. Por isso é importante denunciar essas empresas", orientou.

Educação
Neiwton Soares, de 38 anos, trabalha como varredor na Ladeira da Praça, no Centro Histórico, há quatro anos. Segundo ele, a maioria dos motoristas, mesmo com os cones e o carrinho de coleta usados para sinalizar, não  respeita e passa por cima.

"As pessoas só sentem nossa falta quando não fazemos a coleta. A maioria  joga o lixo de dentro do próprio carro. Mesmo com a lixeira próxima, as pessoas  não respeitam. Até  gosto do que faço, mas um pouco de educação não faz mal a ninguém", disse.

Paulo Santos tem 30 anos, oito dos quais trabalha como gari. Ele conta que além do mau cheiro e resíduos hospitalares cortantes descartados de forma irregular pelas pessoas, o preconceito contra a profissão também é um grande problema enfrentado pela categoria. "As pessoas encostam perto da gente e tapam o nariz. É muito difícil alguém dar um bom dia ao pedir alguma informação. Somos invisíveis. Toda hora agente vê um gari sendo atropelado, é só dar uma volta na cidade", declarou.

Prevenção
De acordo com Sérgio Pinto, coordenador em segurança do trabalho, a vulnerabilidade desses profissionais é iminente e precisa de treinamentos constantes. Sendo imprescindível o uso de equipamento adequado como luvas, meias que cubram as pernas e caneleira para proteger dos ferros das carretas e contêiner de lixo. "As empresas precisam investir em equipamentos de proteção e palestras para seus funcionários,  e a população  deve aprender a cultivar  o hábito da coleta seletiva, dessa forma muitos acidentes podem ser evitados", declarou.

Para Edson Conceição, falta uma fiscalização mais unificada por parte do estado e do munícipio para conscientizar a população. "É preciso ter uma organização urbana. O Estado e a Prefeitura precisam fazer uma forte campanha de conscientização junto à população. Os garis são profissionais importantes para o andamento da cidade e precisam sair da esfera da invisibilidade", afirmou.




Na Bahia, garis temem imprudência de motoristas



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