Uma greve de trabalhadores do segmento têxtil por melhores salários causou confronto com a polícia no Camboja nos primeiros dias de janeiro. A polícia matou cinco trabalhadores e feriu dezenas em protesto na capital Phnom Penh, entre 2 e 4 de janeiro de 2014. Os trabalhadores reivindicavam reajuste do salário mínimo para US$ 160 dólares por mês. O atual salário é de 80 dólares. O governo propôs aumentar para 95 dólares mensais, e após os protestos, ofertou mais cinco dólares, chegando a 100 dólares. Porém, os trabalhadores não aceitaram.
Os protestos dos trabalhadores do setor têxtil cambojano aumentaram nos últimos anos devido às más condições de trabalho, como a falta de alimentação e o excesso de horas trabalhadas. A indústria no país abastece grandes marcas internacionais e emprega 650 mil pessoas, sendo 400 mil em empresas exportadoras. Casos de trabalho escravo têm sido associados a diversas grifes, inclusive no Brasil, onde a maioria dos explorados são imigrantes da América Latina.
Os salários baixos e as condições degradantes são entendidos como um ataque aos direitos dos trabalhadores, fragilizando relações humanas e de trabalho a partir da segregação e da exclusão sociais, e da sonegação das garantias políticas e institucionais. O direito ao trabalho e o seu pleno exercício deve ser cercado de proteção e garantias institucionais em que a dignidade da pessoa humana deve ficar resguardada, segundo os principais instrumentos de organizações internacionais como a Organização Internacional do Trabalho – OIT, ligada à Organização das Nações Unidas – ONU.
Várias entidades e instituições no mundo estão condenando a atitude do governo e da polícia do Camboja. As relações continuam tensas na capital. O valor do salário mínimo praticado no país é um dos mais baixos do mundo.
Com informações da EFE, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo.