A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo qualificou a primeira turma de trabalhadores bolivianos empreendedores do setor têxtil. O curso – que ofereceu noções básicas de empreendedorismo, legislação trabalhista brasileira, organização da produção, entre outros – qualificou oficineiros e costureiros bolivianos resgatados por Auditores-Fiscais do Trabalho no estado, em operações de combate ao trabalho escravo.
O curso contou com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Associação da Indústria Têxtil (ABIT), apoiada pelo Consulado da Bolívia.
Para a SRTE/SP a qualificação de trabalhadores oriundos de países do Mercosul representa um passo importante para combater o trabalho degradante.
De acordo com a fiscalização trabalhista, grande parte dos imigrantes bolivianos não possui nenhuma qualificação profissional, e as cooperativas de costura acabam sendo uma das únicas opções de trabalho.
A Pastoral do Imigrante, local que acolhe os recém-chegados em São Paulo, estima que cerca de 90% dos imigrantes bolivianos vivem da costura.
As confecções que abrigam os imigrantes ficam localizadas nas regiões do Brás e do Bom Retiro, grandes pólos da costura em São Paulo. Nesses locais, as roupas são vendidas a menor custo. Além disso, muitas delas vendem roupas por atacado, para revenda em shopping ou em ruas menos populares.
A situação trabalhista dos bolivianos melhorou depois que a fiscalização foi intensificada. Mas trabalhadores ainda são explorados. Chegam a trabalhar até 20 horas diárias e ganham pouquíssimo por peça produzida.