MS: Fiscalização resgata trabalhador que era escravizado há dez anos


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
23/05/2013



Uma denúncia da própria esposa do trabalhador, que era escravizado há uma década, levou os Auditores-Fiscais do Trabalho à fazenda de criação de gado localizada no município de Dourados, no Mato Grosso do Sul (MS).


Lá, os Auditores-Fiscais encontraram o empregado trabalhando, apesar do horário, que passava das 19 horas, e ele se encontrava em uma outra fazenda também de propriedade do empregador, mas distante da que o trabalhador morava.


Em declaração aos Auditores-Fiscais, o trabalhador disse que não tinha folga nos finais de semana e feriados e as jornadas excediam as 12 horas diárias. “Eu cuidava das três fazendas. Fazia a cerca, mexia com o trator. Fazia de tudo. Era o único peão. Pegava de madrugada e ia até oito horas da noite. Direto, direto, direto. Sem feriado. E até de Sexta-feira Santa”.


A falta de equipamentos de proteção foi responsável por cinco acidentes de trabalho que o empregado disse ter sofrido ao longo do tempo em que esteve na fazenda, entre fraturas e cortes.


Ele era o único empregado registrado no empreendimento, de acordo com os Auditores-Fiscais. Com a promessa de receber um salário digno, com o qual pudesse manter a esposa e as duas filhas, o trabalhador disse que, na realidade, recebia cerca de R$ 300 mensais e não lhes eram fornecidos equipamentos de proteção, apesar de ser obrigado a operar máquinas de grande porte.


Para não tentar fugir do local o empregado disse que era constantemente ameaçado e que o patrão costumava atirar pra cima para intimidá-lo. Com medo de ser morto, o trabalhador permaneceu todos esses anos na fazenda,  trabalhando e vivendo em condições degradantes, conforme constataram os Auditores-Fiscais.


Na operação de resgate foram lavrados sete autos de infração e o trabalhador recebeu as verbas rescisórias por meio do bloqueio de dinheiro da venda de gados que a empresa compradora iria pagar ao proprietário. O valor pago foi de aproximadamente R$ 25 mil.


Mais detalhes na matéria da ONG Repórter Brasil. Clique aqui.

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