DF: Auditores resgatam 78 pessoas submetidas a trabalhos forçados por organização religiosa em Ceilândia


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
23/03/2020



Com informações da Secretaria do Trabalho e da SIT

 

Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 78 pessoas submetidas a trabalhos forçados por uma organização religiosa na região administrativa de Ceilândia, no Distrito Federal. A ação fiscal realizada de 10 a 17 de março teve a participação ainda de representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Federal (MPF), de policiais federais e de equipes da assistência social do Governo do Distrito Federal (GDF).

 

De acordo com os Auditores-Fiscais do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), os resgatados – entre eles, três crianças – moravam em cinco imóveis ligados à entidade, dois próprios e três alugados, com a promessa de que iriam para “casas de recuperação”. Boa parte do grupo era formado por pessoas em situação de rua e usuários de drogas.

 

Na prática, no entanto, os trabalhadores vendiam sacos de lixo nas ruas da região, que eram produzidos em imóvel vizinho à sede da igreja, cujas celebrações eram obrigados a frequentar, havendo sanções em caso de descumprimento.

 

Após inspecionar alojamentos e a fábrica dos sacos de lixo, colher depoimentos de trabalhadores e do empregador – o dirigente da igreja e das “casas de recuperação” – a equipe de fiscalização constatou que todos os trabalhadores foram submetidos a trabalho forçado, uma vez que eram arregimentados e mantidos na organização religiosa sob engano.

 

Assédio e espancamentos

 

Durante a operação, realizada de 10 a 17 de março, os Auditores-Fiscais constataram que as pessoas entravam para a entidade e ficavam em um alojamento atrás da fábrica de sacos de lixo. Neste lugar, de dois cômodos, moravam 17 pessoas. Elas dormiam em colchões no chão, coabitando o local com pessoas de outras famílias. Os banheiros não tinham porta e eram separados por cortinas de plástico.

 

Este alojamento servia, de acordo com os Auditores-Fiscais, como uma triagem para novos seguidores. E também como local de punição, caso os trabalhadores não cumprissem as cotas de venda de sacos de lixo ou consumissem drogas. Nos relatos dos resgatados, há espancamentos e prática de assédio moral organizacional, caracterizado pela imposição violenta de normas de conduta.

 

Interdição

 

Os trabalhadores resgatados foram cadastrados para emissão do Seguro-Desemprego Especial – de três parcelas, cada uma no valor de um salário-mínimo – e receberam orientações sobre como ter seus direitos ressarcidos, uma vez que o empregador não regularizou sua situação laboral. O Ministério Público do Trabalho (MPT) adotará as providências cabíveis.

 

A Assistência Social do Distrito Federal encaminhou para comunidades terapêuticas regulares as pessoas que demandavam esta atenção, e acompanha individualmente a situação de cada um dos trabalhadores resgatados. Três das pessoas resgatadas retornaram para suas cidades de origem, em São Paulo e Tocantins, com passagens custeadas pelo governo federal.

 

Na mesma ação, as máquinas utilizadas na fabricação dos sacos de lixo foram interditadas pelos Auditores-Fiscais, pois apresentavam grave e iminente risco à segurança e saúde dos trabalhadores.​

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