No próximo domingo, 8 de março, será celebrado o Dia Internacional da Mulher. As mais afortunadas receberão flores, cartões, bombons, mensagens nos celulares e facebooks, abraços de seus familiares e amigos. Outras, entretanto, passarão ao largo, sem sequer saber que a data existe ou seu significado. Vítimas de violência doméstica, de escravidão ou do tráfico de pessoas, esperam pouco ou nada da vida.
O Sinait, ao mesmo tempo em que cumprimenta as mulheres, especialmente as Auditoras-Fiscais do Trabalho que se dedicam diariamente a resgatar direitos e promover cidadania, também lembra que, assim como outras datas que deveriam ser comemorativas, o Dia da Mulher é um dia de lutas e reflexões. Para as mulheres, principalmente as mais pobres, há muitos medos e desafios a serem superados, não somente por elas, mas por toda a sociedade, o que inclui os homens e autoridades.
Por entender que a realidade não é cor de rosa, o Sinait decidiu marcar essa data apresentando um artigo da Auditora-Fiscal do Trabalho Marinalva Cardoso Dantas (RN).
Com sua sensibilidade de mulher, de mãe, Marinalva tem larga experiência no resgate de vítimas do crime de trabalho análogo ao de escravos e conheceu dezenas de mulheres durante as ações fiscais das quais participou ao longo de anos. Neste artigo “Os diferentes e decisivos papéis desempenhados pela mulher no cenário da escravidão contemporânea” ela descreve as diversas situações em que foram encontradas mulheres nas ações do Grupo Móvel, praticamente todas exploradas como serviçais ou como prostitutas, muitas vezes grávidas ou com filhos pequenos.
Os relatos são, muitas vezes, chocantes, incomodamente reais. Fazem parte de um contingente que vive à margem, homens e mulheres cercados de machismo, de conformismo e desesperança. Marinalva, como é típico de sua personalidade, não sabe ver essas situações sem se importar. Por isso colheu histórias e tenta, com elas, pelo menos contar como vivem essas pessoas, na esperança de que cheguem aos ouvidos certos, que tenham o poder de modificar a dura realidade de milhares de trabalhadores explorados, em especial, as mulheres, exploradas de forma múltipla.
Marinalva ainda aborda as mulheres que exploram dentro da rede escravagista; as mulheres que obstaculizam o combate à escravidão contemporânea; e as mulheres que assumem o protagonismo desta luta, com especial atenção às Auditoras-Fiscais do Trabalho, sua forma de abordagem, firme, porém conciliadora, que contornou inúmeras situações delicadas e conflituosas.
Marinalva destaca também a atuação da presidente do Sinait, Rosa Maria Campos Jorge, que desde sua primeira gestão deu ao tema a importância devida, incluindo o debate sobre trabalho escravo na ordem do dia da categoria e proporcionando visibilidade ao trabalho realizado pelo Grupo Móvel.
Por fim, Marinalva rende suas homenagens às Auditoras-Fiscais que foram suas companheiras nas difíceis e desafiadoras jornadas de fiscalização nos confins da terra.
Leia o artigo, replique, compartilhe. Para que mais cidadãos conheçam esta realidade. Para que saibam que não é uma ficção.