Empregados da Amanco, em Sumaré (SP), pararam de trabalhar em protesto pela morte do colega. Eles denunciam a terceirização em grande escala praticada pela empresa mexicana
O trabalhador Emanuel Neto da Rocha, com 26 anos de idade, morreu na tarde de terça-feira, 3 de março, quando exercia sua atividade de eletricista na Mexichem Brasil (Amanco), em Sumaré, São Paulo. Ele era terceirizado, contratado direto pela Sem Limites, empresa prestadora de serviços para a multinacional mexicana.
No momento do acidente com Rocha não havia outro trabalhador presente. Da forma em que foi encontrado o corpo, a suposição é de que ele trabalhava em uma ponte rolante e com uma escada, ambas de metal, que são condições inseguras e inapropriadas para sua atividade de eletricista na Mexichem.
Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - Samu, o trabalhador sofreu uma descarga elétrica e faleceu no local. Ele tinha 26 anos, recém casado, sem filhos e morador de Paulínia.
Nesta quinta-feira, 5 de março, os trabalhadores da Mexichem, em Sumaré, paralisaram 100% a produção, em ato de protesto contra a morte do colega. Eles exigem o cumprimento das normas de segurança, condições seguras de trabalho e o fim da terceirização, praticada em grande escala na multinacional mexicana. A paralisação teve a adesão dos aproximadamente 500 trabalhadores efetivos e dos terceirizados, segundo informações do Sindicato dos Químicos Unificados.
O Sindicato acompanha o fato e fará denúncia ao Ministério Público após a divulgação do laudo oficial com a causa da morte e pedirá perícia no local.
Contra a terceirização
Além do protesto exigindo segurança, investigação e punição, apoio à família e de homenagem ao companheiro, os manifestantes debatem a questão da terceirização nas empresas, a ser regularizada pelo Projeto de Lei 4330/2004, prestes a ser votado na Câmara dos Deputados.
O Sinait é contra o projeto e atua para que a matéria não seja aprovada por entender que a precarização promovida pela terceirização desenfreada promove a flexibilização de direitos dos trabalhadores e também contribui para o aumento dos acidentes com mortes entre os terceirizados, principalmente entre os que laboram no setor elétrico.
Proposta avassaladora
Em 2004, sob a justificativa de regulamentar a contratação de terceirizados, o deputado federal Sandro Mabel (PMDB/GO) apresentou o Projeto de Lei 4330, que precariza ainda mais as relações trabalhistas.
O PL permite a contratação de terceirizados em todas as atividades, inclusive na atividade fim, a principal da empresa, que poderá funcionar sem nenhum contratado direto e fragilizará a organização e a representação sindical. O projeto também permite a substituição de todos os trabalhadores por terceirizados como forma de diminuir custos das empresas.
Sem pressão, o projeto pode ser aprovado e trazer graves prejuízos à classe trabalhadora. A previsão é de que o Projeto será votado em abril, depois da Semana Santa.
Com informações do G1 Sumaré e do Sindicato dos Químicos Unificados.