Chacina de Unaí – Ato Público em BH contou com a presença do ex-ministro Nilmário Miranda


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
30/01/2015



A Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais – AAFIT/MG realizou um Ato Público no dia 28 de janeiro, em Belo Horizonte (MG), em memória dos quatro servidores chacinados em Unaí – os Auditores-Fiscais Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira.


Compareceram cerca de 70 Auditores-Fiscais, lideranças sindicais de diversas categorias e de Nilmário Miranda que, em 2004, na época do crime, ocupava o cargo de ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.


Na porta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/MG, os manifestantes denunciaram a omissão da Justiça por não julgar os mandantes deste crime hediondo. Lembraram, em especial, o fato de o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal – STF, estar com o processo “engavetado” há um ano e quatro meses. Ele pediu vistas do Habeas corpus impetrado por dois réus que tentam transferir o julgamento para Unaí.


Nilmário Miranda, mais uma vez, manifestou sua solidariedade à categoria. Emocionado, ele comunicou que será empossado como deputado federal na próxima semana – atualmente ele é suplente – e que uma de suas primeiras ações serão uma visita ao STF, em especial ao ministro Toffoli, para cobrar o andamento do processo.


Líderes sindicais de entidades co-irmãs fizeram uso da palavra.  Afonso Ligório, da Anfip/MG, em fala contundente, cobrou atitude do STF, dizendo que “o Supremo é o órgão defensor da Constituição, carta que prevê os direitos humanos e trabalhistas, algo que foi privado aos nossos colegas assassinados. Desta forma, pode não haver um prazo legal para a atuação do Ministro neste caso, mas há o prazo da consciência jurídica, há o prazo da decência, há o prazo do dever de cumprir a sua função de Ministro no STF e isso nós vamos cobrar.”


Luíz Sérgio, presidente da Delegacia Sindical do Sindifisco Nacional em Belo Horizonte, reiterou o apoio à categoria e assegurou que os colegas da Receita Federal do Brasil estarão sempre cerrando fileiras os Auditores-Fiscais do Trabalho até que o último culpado seja efetivamente julgado.  “Nós temos aqui uma demonstração de que não chegamos ainda à civilização, é preciso preservar a democracia, é preciso buscar a reforma política para que se mudem a leis desse país. Um juiz que pede ‘vistas’ de um caso repleto de provas e até hoje não faz seu pronunciamento está se demonstrando a favor dos poderosos. Então cabe a todos nós, mostrar a nossa indignação e voltarmos aqui enquanto essa barbárie não tiver sido punida. É preciso que todos nós mantenhamos esse compromisso da busca pela civilização em nosso país, um caminho em que nenhum ser humano seja assassinado, quem dirá morto no cumprimento do seu dever.”


Também esteve presente Ilva Maria Franca Lauria, vice-presidente de Política de Classe da Anfip/MG e coordenadora da Frente Mineira das Entidades do Serviço Público, que conclamou a todos para estar atentos com relação à votação de emendas propostas pelo governo para subtrair direitos dos servidores e dos trabalhadores em geral.


Imprensa


Antes e após o ato, o presidente da AAFIT/MG, José Augusto de Paula Freitas, atendeu à imprensa e destaca as entrevistas concedidas às Rádio CBN e Itatiaia.  O presidente denunciou a manobra protelatória do julgamento, a morosidade da justiça e o desaparelhamento do Ministério do Trabalho e Emprego, com redução do seu quadro de Auditores-Fiscais e falta de condições de trabalho.


Leia reportagem publicada no jornal O Tempo.


 


 

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