Chacina de Unaí: Ato Público de Cidadania em Brasília teve apoio de entidades sindicais e da sociedade civil


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/01/2015



O Ato Público de Cidadania realizado nesta quarta-feira, 28 de janeiro, em frente ao Supremo Tribunal Federal – STF, em Brasília (DF), para pedir justiça e o julgamento, em Belo Horizonte (MG), dos mandantes do crime de assassinato de três Auditores-Fiscais -  Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva – e do motorista Ailton Pereira de Oliveira, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, em uma estrada rural do município de Unaí, em 2004, contou com o apoio de entidades, sindicatos, confederações e órgãos internacionais que enviaram representantes.


Durante o Ato Público, o Procurador-Geral do Ministério Público do Trabalho, Luís Antônio Camargo de Mello, disse que a parceria das instituições é algo fundamental. “Nós trabalhamos juntos e sofremos juntos e não podemos concordar com essa situação de impunidade”.


Ele argumentou que o sistema penal permite recursos com o objetivo de procrastinar. “No entanto, é importante deixar claro, que nós, a sociedade e os Auditores-Fiscais estamos vigilantes e o caso terá um fim. Vamos em frente e não vamos permitir que essa situação de impunidade continue”. 


Carlos Eduardo de Azevedo Lima, presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho – ANPT, considerou o Ato Público desta quarta-feira, 28 de janeiro, um momento especial. “O dia de hoje traz um sentimento misto de impunidade e luta, porque após onze anos, nós estamos aqui e continuamos com o mesmo empenho para condenar os culpados da Chacina de Unaí”.


Para Carlos Eduardo, é fundamental que acabe essa situação de “achincalhamento jurídico. O STF precisa dar uma resposta para o caso realizando um julgamento justo em Belo Horizonte”.


Somos todos Sinait


Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco Nacional, considera a luta do Sinait uma batalha dos servidores públicos como um todo. “É uma guerra que deveria mobilizar todo o funcionalismo brasileiro. Afinal, quantos casos estão acontecendo exatamente agora?”.


Ele conclamou os servidores a participarem de uma mobilização contínua. “Precisamos permanecer concentrados neste combate e hoje, somos todos Auditores-Fiscais do Trabalho, hoje somos todos Sinait!”. 


Vergonha


O Auditor-Fiscal Valdiney Arruda, atual secretário de Estado do Trabalho e Assistência Social do governo do Mato Grosso - Setas, acredita que o Ato é um momento de reflexão. “Fiquei emocionado com a fala de algumas pessoas e principalmente da Genir Lage, viúva do colega João Batista, e concordo que é uma vergonha estarmos aguardando um julgamento que já deveria ter acontecido”.


Valdiney Arruda declarou que é uma tragédia social, todos estarem há onze anos pedindo justiça. “O caso abalou toda uma categoria e atenta contra a sociedade, os servidores e, principalmente, as famílias que estão aqui. Peço a Deus que o julgamento aconteça e que os magistrados sejam iluminados para que a injustiça não continue”.


Julgamento em BH


Edison Guilherme Haubert, presidente do Instituto Mosap, disse que é importante a participação das entidades neste tipo de protesto. “É um crime bárbaro e inexplicável que não pode ficar impune”. Haubert lembra que os Auditores-Fiscais sofrem ameaças no exercício da profissão e as instituições precisam se unir e agir. “Não podemos recuar e devemos confiar que o julgamento acontecerá em Belo Horizonte”.


Raimundo Salvador do Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília – STICMB afirmou que a participação no Ato Público pela reivindicação do julgamento dos mandantes da Chacina de Unaí em Belo Horizonte representa uma data marcante para a entidade. “Estamos nesta batalha há oonze anos com o Sinait pedindo justiça. Por isso, reivindicamos ao STF que realize o julgamento em Belo Horizonte para que os culpados não saiam impunes”.


Ênfase parecida foi defendida pelo secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - Condsef, Sérgio Ronaldo, ao explicar que a burguesia está colocando o estado de direito e o Estado brasileiro contra a parede. “Não podemos ficar calados, precisamos continuar protestando para que o STF faça um julgamento técnico e não político”. 


Carlos Calazans, presidente do Instituto Mineiro das Relações de Trabalho, à época Delegado Regional do Trabalho em Minas Gerais, defendeu que o julgamento não pode mais ser postergado. “É necessário encerrar esse caso. Precisamos pressionar e continuar mobilizados”.


Participaram também da manifestação Ângelo Fabiano Farias da Costa, vice-presidente da ANPT; Geraldo Estevão Coan, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Distrito Federal – Sinttel/DF; Isa Oliveira do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil – FNPETI; Luiz Machado, coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho – OIT; Milton Vasconcelos da NCST – Nova Central; Oton Pereira Neves, secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal – Sindsep/DF; Rogenir Almeida, Catholic Relief Services e Vilson Antônio Romero, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – Anfip; entre outros representantes de entidades.


 

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