Chacina de Unaí – Presidente do CDS publica artigo em jornal do Ceará


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
26/01/2015



O presidente do Conselho de Delegados Sindicais do Sinait – CDS, Sebastião Abreu Neto, publicou artigo no jornal O Povo, do Ceará, no último sábado, 24 de janeiro, sobre os onze anos da Chacina de Unaí. Ele informa sobre o Ato Público que será realizado pelo Sinait na próxima quarta-feira, 28, em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal – STF e afirma, desde o título, que o crime foi cometido contra o Estado brasileiro.


Abreu dá detalhes da fase atual do processo, na qual os mandantes tentam a transferência do julgamento para a vara federal de Unaí, onde residem e têm influência política e econômica. Termina o artigo remetendo à mobilização francesa cuja frase “je sui Charlie” correu o mundo, dizendo que “somos Erastóstenes, somos João Batista, somos Nelson e somos Ailton”.


Leia o artigo a seguir. Replique em suas redes sociais, multiplique.


24-1-2015 – O Povo (CE)


Unaí - Um crime contra o estado brasileiro


"Queremos dizer que somos Erastóstenes, somos João Batista, somos Nelson e somos Ailton"


Brasília, capital da república, assistirá no dia 28 de janeiro de 2015 de 9 horas ao meio dia, a um ato público, em frente ao Supremo Tribunal Federal, organizado pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), para lembrar à cúpula do poder Judiciário os 11 anos da chacina de Unaí (MG), que culminou no assassinato de três auditores fiscais do trabalho: Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e do motorista do Ministério do Trabalho e Emprego, Ailton Pereira de Oliveira.


Os heróis de Unaí foram mortos no cumprimento do dever, quando fiscalizavam fazendas da zona rural daquele município, no combate ao trabalho escravo. Alguns parlamentares, ligados ao agro negócio defendem a iniciativa de elaboração de lei para definir trabalho escravo. Ainda não sabem?


A chacina de Unaí foi um crime cometido contra o Estado brasileiro. Sendo a inspeção do trabalho uma atividade típica de Estado, o auditor fiscal do trabalho, no exercício de sua função, despersonaliza-se e passa a agir em nome do Estado. Portanto, qualquer lesão física ou moral perpetrada contra esse agente é ao Estado que se estará lesando.


Já se passaram onze anos e esse crime contra o Estado brasileiro continua sem definição. O julgamento que estava previsto para o dia 17 de setembro de 2013 está suspenso em virtude de recurso impetrado pelos réus pedindo sua transferência para a vara federal de Unaí (recentemente criada), onde os réus residem e têm marcante influência política e econômica. Quem garante a imparcialidade nesse julgamento?


O ato público a ser realizado no dia 28 de janeiro, pelo Sinait, com a presença de auditores fiscais do trabalho, sindicalistas, representantes de instituições e autoridades ligadas aos direitos humanos e ao combate ao trabalho escravo, tem como principal objetivo defender que o julgamento dos mandantes desse crime hediondo seja realizado na 9ª vara de Belo Horizonte, onde foram julgados e condenados outros três réus (os executores) em agosto de 2013, bem como cobrar celeridade no andamento do processo.


Em virtude daquele triste e covarde acontecimento, o dia 28 de janeiro foi instituído o Dia do AFT e a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. (lei nº 11.905/2009). Inspirando na grande mobilização mundial que se seguiu ao atentado no jornal francês Charlie Hebdo, queremos dizer que somos Erastóstenes, somos João Batista, somos Nelson e somos Ailton.


Somos também, todos os agentes públicos que tombaram no cumprimento de suas funções em defesa do Estado, este mesmo Estado que através do poder Judiciário, tenta blindar os mandantes impedindo que se faça justiça.


Sebastião de Abreu


Presidente do Conselho de Delegados Sindicais do Sinait


 

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