Auditores resgatam bolivianos de trabalho escravo em São Paulo e investigam conexão irregular com o Rio Grande do Sul


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
01/12/2014



Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 37 trabalhadores bolivianos de situação análoga à de escravos em oficina de costura na Zona Norte da capital paulista, que produziam para a loja de departamentos Renner. A investigação averiguou ainda conexão de produção irregular com lojas da Renner no Rio Grande do Sul.  


Os Auditores-Fiscais investigaram durante três meses a situação de trabalho escravo em produção de roupas por meio de jornadas exaustivas que eram enviadas para outras duas empresas contratadas pelas lojas Renner. Constataram ainda que a dona da empresa na capital paulista, uma boliviana, pagava os funcionários por produção, com descontos indevidos. 


Na sede da Renner no Rio Grande do Sul, os Auditores-Fiscais informaram ter encontrado documentos e projetos de roupas confeccionadas em São Paulo, que provaria a ligação da empresa com a oficina da boliviana. A Renner recebeu 30 autos de infração, que totalizaram R$ 2 milhões. 


Para o Auditor-Fiscal Luís Alexandre Faria, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo – SRTE/SP, “enquanto não acabar a pulverização que permite com que grandes marcas, roupas conhecidas e queridas pelo público brasileiro sejam produzidas no fundo de quintal, aqui na periferia de São Paulo, vão continuar, infelizmente, ocorrendo casos de submissão de nossos irmãos imigrantes à condição análoga de escravidão”. 


Só em 2014, Auditores-Fiscais de São Paulo libertaram 100 imigrantes na capital paulista, que trabalhavam em regime semelhante ao de escravidão. Segundo Luís Alexandre, de todas as 14 operações feitas, “esta última foi considerada a mais grave”. 


Procurada pelo G1, a Renner informou que as situações de irregularidade apontadas pelo MTE são relacionadas a uma oficina contratada por dois fornecedores da empresa. "Todos os fornecedores da Companhia assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente, bem como um Termo de Compromisso e Conduta Responsável que proíbe qualquer tipo de violação aos dispositivos legais". 


Segundo a Renner, a oficina onde trabalhavam os empregados deu baixa em todas as Carteiras de Trabalho, pagou as verbas rescisórias e liberou o FGTS. Em seguida, foi descredenciada pelos dois fornecedores, que garantiram "a admissão destes trabalhadores em suas operações, com pagamento das indenizações trabalhistas fixadas pelo MTE". A empresa diz que "está revisando e aperfeiçoando o processo de auditoria e certificação de fornecedores". 


Também participaram da operação os Auditores-Fiscais do Trabalho Sérgio Aoki e Elisabete Cristina Gallo, além de equipe de Auditores-Fiscais da SRTE/RS. 


Com informações do G1. 


Veja a matéria divulgada pelo SPTV aqui


Leia aqui a matéria publicada na Revista Carta Capital. 


Para ler a matéria do Repórter Brasil clique aqui


 

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