Os Auditores-Fiscais do Trabalho vencedores serão premiados na manhã do dia 26 de novembro, terceiro dia do Encontro
Este ano, a Comissão Organizadora do 32º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho - Enafit decidiu antecipar a divulgação dos nomes e trabalhos dos vencedores dos concursos de Artigo Científico e de Fotografia. Com o tema "A atuação da Auditoria-Fiscal do Trabalho na garantia da cidadania, da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho: fundamentos da Constituição Brasileira", o concurso de Artigo Científico premiará durante o Encontro, os Auditores-Fiscais do Trabalho Cristiane Leonel Moreira da Silva, em primeiro lugar, Marcell Fernandes Santana, em segundo lugar e Fernando André Sampaio Cabral, que conquistou o terceiro lugar.
A premiação dos vencedores será às 10 horas do dia 26 de novembro, quarta-feira, em painel específico do Encontro, que será realizado no Hotel Pestana, em Curitiba (PR). Integrantes das comissões julgadoras participarão do momento de premiação.
No I Concurso Nacional de Fotografias do Sinait, sob o tema "O OLHAR DO AUDITOR-FISCAL DO TRABALHO: Trabalho Escravo, Trabalho Infantil e Riscos de Acidentes de Trabalho", os vencedores são Wilson Ramires – 1º lugar, Brunno Dallossi – 2º lugar e Sofia Gomes – 3º lugar.
Os critérios utilizados para análise e julgamento dos artigos consideraram principalmente a consistência do objeto abordado, organização, capacidade de síntese, clareza de apresentação e também contribuição ao desenvolvimento da Fiscalização do Trabalho e da proteção ao trabalhador. Entrevistados pelo Sinait, os ganhadores falaram sobre seus trabalhos.
Artigo Científico
Segundo a vencedora, a Auditora-Fiscal do Estado de São Paulo, Cristiane Leonel, foi muito instigante pesquisar e redigir uma linha de raciocínio embasada, para estabelecer uma estreita ligação entre a Auditoria-Fiscal do Trabalho e alguns dos fundamentos constitucionais do Estado brasileiro. “Argumentos teóricos e diversas situações do cotidiano das atribuições da Auditoria-Fiscal do Trabalho foram abordados e correlacionados no intuito de demonstrar como atuamos para a garantia e concretização da cidadania, da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho”, explicou. E acrescentou que no texto foi ressaltada e fortalecida a extrema importância das funções dos Auditores-Fiscais do Trabalho, para a realização dos grandes valores e finalidades da sociedade.
Para Marcell Santana, que será premiado pela segunda colocação, o concurso é um estímulo para os colegas estudarem, pesquisarem e produzirem artigos, que poderão ser consultados, além de ser um incentivo a mais. "O que me levou a escrever o artigo, diante do tema proposto pelo Enafit, foi o fato de enxergar claramente na Auditoria-Fiscal do Trabalho um meio eficaz de se garantir princípios fundamentais constitucionais de cidadania, valor social do trabalho e dignidade da pessoa humana a todos os trabalhadores”, ressaltou. Marcell afirma que essa garantia se deve ao papel dos Auditores-Fiscais de fazer cumprir os direitos trabalhistas, que são considerados direitos humanos em sua essência. “Pois é pelo trabalho que o homem pode proporcionar melhores condições de vida para si e sua família", completa.
O terceiro colocado, Fernando André Sampaio, ressaltou que os Auditores-Fiscais do Trabalho, ao longo de sua história, não se apropriaram da nova forma de interpretação das leis à luz da Constituição Federal. Em razão disso, muitas vezes, utilizam interpretações tradicionais, o que para ele “reduz os instrumentos e a força do nosso trabalho”. De acordo com Fernando, há que se ter a perspectiva de que a Carta Magna foi promulgada após um período de restrições democráticas e, sendo assim, buscou preservar e consagrar os direitos humanos e fundamentais e suas respectivas garantias. “Tais princípios têm total correlação com a atividade da Auditoria-Fiscal do Trabalho na busca do trabalho decente”, destacou.
Fotografia
Vencedor do Concurso de Fotografia, Wilson Ramires contou que quando ficou sabendo do concurso ficou feliz e triste ao mesmo tempo, porque viu a oportunidade de participar, mas já tinha perdido inúmeras circunstâncias que proporcionariam belas fotos, com equipamento adequado. O objetivo da foto foi registrar, através da fotografia, os riscos de acidentes envolvidos na atividade metalúrgica e a necessidade da preocupação com a segurança no trabalho. “Procurei algo que fosse mais rotineiro na região, a metalurgia. A câmera foi ajustada para fotografar a cena durante dois segundos e o tripé evitava que saísse tudo tremido. Consegui captar a trajetória das centelhas, os gases tóxicos e a “Luz maligna” que deu nome à foto, o brilho que contém também radiação ultravioleta”, explicou Ramires.
A fotografia “Nós e tantos nós” foi feita durante uma operação do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Escravo no município de Guaratuba (PR), há alguns anos, onde trabalhadores laboravam em condições precárias no cultivo e extração de bananas”, relatou Brunno Dallossi, segundo colocado. O Auditor-Fiscal contou que a pessoa retratada tinha parentesco com um dos trabalhadores e sofria de distúrbios mentais. Segundo Brunno, os “nós” do título do trabalho representam os entraves que ainda precisam ser superados para que sejam efetivados os direitos fundamentais dos trabalhadores no Brasil.
Sofia Gomes, classificada em terceiro lugar com a fotografia “Sem digitais” revela que a foto foi tirada durante operação de combate ao trabalho infantil na comunidade do Amarelão Buriti, na zona rural do município de João Câmara, no Rio Grande do Norte, onde a principal atividade das famílias é a quebra artesanal da castanha. “O título da foto refere-se às crianças que perdem suas digitais ao manusearem a castanha de caju ainda quente, após serem queimadas. Além disso, muitas mães lavam as mãos de seus filhos com água sanitária para retirarem o ácido liberado na queima, semelhante a um óleo preto das mãos dos filhos”, relatou Sofia. Este operativo fiscal foi acompanhada pelo Sinait, que produziu reportagem e vídeo sobre o tema. Relembre aqui.