Na semana passada mais um operário da construção civil morreu. Ele trabalhava na construção do estádio Arena da Amazônia, em Manaus (AM), quando caiu de uma altura de cinco metros, teve traumatismo craniano e morreu na hora. É mais uma vítima, mais uma família que sofre, menos um trabalhador no mercado de trabalho, mais gastos com acidente de trabalho. Provavelmente a queda poderia ter sido evitada, como em grande parte dos acidentes de trabalho dessa natureza.
Este caso foi noticiado. Centenas de outros não foram divulgados, mas aconteceram.
Em outra reportagem, reproduzida abaixo, Auditores-Fiscais do Trabalho da Gerência Regional do Trabalho em Dourados (MS) apresentam números de acidentes de trabalho e as razões pelas quais geralmente acontecem, especialmente nos segmentos da construção civil e da indústria. A negligência dos empregadores com a segurança é uma das causas mais frequentes, associada às tentativas de economizar comprando equipamentos velhos e ultrapassados, sem mecanismos de proteção.
Situações como essas são facilmente detectadas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, que têm experiência e conhecem as exigências da lei para cada tipo de atividade. Entretanto, com apenas 2.887 Auditores-Fiscais em atividade hoje, a cobertura da fiscalização fica muito comprometida. Numa relação contrária, à medida que as atividades ampliam sua capacidade, o número de Auditores-Fiscais do Trabalho diminui a cada dia, em razão das aposentadorias, sem que o governo tome a atitude de repor e ampliar o quadro. Sem investimento, a fiscalização não terá condições de promover as ações preventivas que podem levar à redução do número de acidentes e, em consequência, de trabalhadores feridos, mutilados e mortos.
Veja as notícias abaixo, sobre acidentes de trabalho:
29-3-2013 - Portal A Crítica
Operário morre após cair de 5 metros na Arena da Amazônia
O operário Raimundo Nonato Lima da Costa, 49, morreu as 22h15 dessa quinta-feira (28) enquanto trabalhava nas obras da Arena da Amazônia, localizada na Zona Centro-Oeste de Manaus. De acordo com informações do Instituto Médico Legal (IML) o trabalhador teve morte instantânea causada por traumatismo craniano ao cair de uma altura de 5 metros.
No momento do acidente de trabalho, o homem se deslocava entre colunas de sustentação da obra que receberá jogos da Copa do Mundo 2014. O corpo de Raimundo já foi liberado para o sepultamento.
Empresa lamenta
A construtora Andrade Gutierrez, que é responsável pelas obras na Arena da Amazônia, divulgou nota onde lamenta a morte do operário. A empresa afirma que providenciou apoio imediato à família do funcionário e que aguarda o resultado dos trabalhos da perícia técnica que foi iniciada pela Polícia Civil com o objetivo de apurar as causas do ocorrido.
“A Andrade Gutierrez reitera o compromisso assumido com a segurança de todos os seus funcionários e informa que intensificará o trabalho de conscientização dos operários com foco na prevenção de acidentes”.
28-3-2013 - Dourados News
Em 18 meses, MTE registra 6 mortes de trabalhadores na região de Dourados
Indústria e Construção Civil são os principais “vilões” em acidentes de trabalho
Maryuska Pavão
Quedas, choques, soterramentos, excesso de horas na jornada de trabalho, ausência de equipamentos adequados e falta de manutenção de máquinas, são algumas das principais causas de acidentes de trabalhadores registrados na construção civil, empresas e indústrias da região de Dourados nos últimos meses.
Dados da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Dourados - GRTE, apontam que no período de janeiro de 2011 a junho de 2012 - 18 meses -, foram registrados 1069 acidentes não fatais e 6 acidentes fatais em toda a parte Sul do Estado.
Já as estatísticas mais atuais da gerência na região, demonstram que nos últimos 14 meses (02/01/2012 a 28/02/2013) foram lavraram 2593 autos de infração, 48 interdições e 27 embargos em Dourados e municípios da região.
Gentil Santana, auditor da GRTE no setor industrial, explicou que só em 2012 durante o Projeto Indústria e Construção foram inspecionados 628 estabelecimentos em 41 cidades e mesmo assim as irregularidades são frequentes. “Os números de acidentes e empresas irregulares podem ser além dos divulgados, pois a maioria não é notificada oficialmente” disse.
Entre as causas dos acidentes, Gentil explicou que é comum encontrar maquinário velho e desprotegido, tecnologia ultrapassada, mobiliário inadequado, ritmo acelerado por parte dos trabalhadores, assédio moral, cobrança exagerada e desrespeito a diversos direitos.
“Grande parte dos acidentes de trabalho nas indústrias acontece porque as empresas visam à economia, e acabam comprando equipamentos e máquinas mais baratas que não cumprem as normas de segurança e ainda negligenciam as ações preventivas” disse.
Segundo Geovânia Teixeira Cardinot, auditora do setor de construção civil, o acidente do trabalho é todo aquele que acontece enquanto o empregado no exercício de suas atividades sofre com algum tipo de lesão corporal, morte, perda ou a redução permanente da capacidade para o trabalho.
“Durante as fiscalizações, principalmente na área da construção, é muito comum encontrar situações provisórias, onde o empregado está sem cinto, sem capacete, em cima de andaimes sem os devidos equipamentos de segurança e é quando acontecem os acidentes” disse.
Recentemente dois casos foram registrados em Dourados. No primeiro, uma metalúrgica teve 12 máquinas embargadas por falta de manutenção e no outro, a construção de uma loja de departamentos que está se instalando na cidade teve a obra interditada por ter funcionários trabalhando em altura sem equipamento adequado para evitar quedas.
Neste mês de março, o Ministério Público do Trabalho firmou acordo com a indústria metalúrgica, o qual beneficia os trabalhadores com a construção de uma área de convivência para descanso. Ao todo 396 empregados da matriz e de duas filiais serão favorecidos com esse espaço.