Trabalho degradante - 27 trabalhadores resgatados em Campinas


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
13/03/2013



Operários eram do Maranhão, do Pará e do município paulista de Hortolândia. Auditores-Fiscais do Trabalho encontraram irregularidades trabalhistas e alojamentos em estado precário. A mesma obra já foi interditada em 2012 


Auditores-Fiscais da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Campinas – GRTE/Campinas, em São Paulo, resgataram 27 trabalhadores em situação de trabalho degradante em alojamento da empreiteira Machado & Machado, subcontratada do Banco Santander, de origem espanhola, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas.

 

A operação foi realizada nos dias 6 e 7 de março pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, que constataram jornada extenuante, retenção de documentos – Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS, falta de pagamento de salários e de rescisões no prazo legal, pagamento de salário “por fora” e condições degradantes do alojamento.

 

Os operários resgatados da obra estavam construindo o Data Center do banco, que é uma central de processamento e armazenamento de dados. Eles eram oriundos dos estados do Maranhão e do Pará e do município de Hortolândia, interior de São Paulo.

 

Mais irregularidades

Durante a ação fiscal os Auditores-Fiscais identificaram ainda outras irregularidades, como a falta de água filtrada no alojamento – os trabalhadores enchiam garrafas pet com água da torneira e as colocavam na geladeira –, as acomodações eram insuficientes para o número de operários e os colchões espalhados pelo local estavam sem roupa de cama. Além disso, havia uma caixa de energia sem a tampa protetora, expondo os trabalhadores ao perigo de curto-circuito, descarga elétrica e incêndio.

 

Os operários relataram que, em alguns casos, dez pessoas dividiam o mesmo quarto. Nos cômodos havia sujeira, restos de comida e bebida e fios elétricos desencapados. Os vasos sanitários do local estavam entupidos. As paredes dos alojamentos eram de madeira dispostas de maneira improvisada com buracos e desgaste pela infiltração da água, favorecendo a circulação de ratos. Também não havia armários para os trabalhadores guardarem roupas e utensílios de uso pessoal. Eles informaram que não recebiam produtos de higiene pessoal.

 

Os Auditores-Fiscais constataram ainda excesso de jornada, em que os empregados cumpriram uma média de 110 horas extras/mês cada um.

 

TAC

No dia 7 de março, os representantes da empreiteira Machado & Machado assinaram um Termo de Ajuste de Conduta – TAC com o Ministério Público do Trabalho – MPT com a promessa de que pagariam os salários em dia, iriam contabilizar todos os vencimentos e manter os operários em alojamentos de acordo com a lei.

 

Rescisão

A partir do dia 8 de março, a empresa, sob supervisão da fiscalização, começou a rescindir os contratos dos trabalhadores e a pagar de imediato as rescisões e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, que se encerraram nesta quarta-feira, 13 de março. Além disso, os 27 trabalhadores receberam a Guia de Seguro-Desemprego de resgatado emitida pelos Auditores-Fiscais.

 

A fiscalização foi uma ação conjunta dos Auditores-Fiscais do Trabalho e de procuradores do Ministério Público do Trabalho – MPT.

 

Obra já foi fiscalizada

A mesma obra sofre fiscalização e interdição em 2012. A interdição foi descumprida e o engenheiro responsável chegou a ser preso por descumprir a determinação do Ministério do Trabalho e Emprego e por colocar a vida dos trabalhadores em risco. Ele pagou fiança e responde a inquérito policial. Veja reportagem do Sinait sobre o caso - Clique aqui

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