CPI do Trabalho escravo – Deputados foram à Bolívia para investigar o aliciamento de trabalhadores


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
13/03/2013



Deputados integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI do Trabalho Escravo estiveram na Bolívia, nas cidades de La Paz e El Alto, na semana passada para investigar os mecanismos de aliciamento de pessoas para trabalharem no Brasil. Eles se reuniram com representantes do governo, do Parlamento, da Câmara Comercial e da Pastoral Operária em busca de informações e de cooperação para o combate ao tráfico de pessoas entre os países. 


O presidente da CPI, deputado Cláudio Puty (PT/PA), sugeriu a visita depois de acompanhar Auditores-Fiscais do Trabalho em ações que resgataram trabalhadores bolivianos em situação de trabalho escravo em São Paulo.

 

Segundo o relato dos deputados, eles viram nas ruas vários anúncios que ofertavam vagas para quem quisesse vir trabalhar em oficinas de costura em São Paulo. Nem sempre as promessas eram de bons salários, mesmo assim, em virtude da situação difícil da Bolívia, muita gente se interessa pelos empregos. A característica das pequenas agências é de ser facilmente desmontada e montada em outro lugar para fugir da fiscalização. O aliciamento é feito, em geral, por bolivianos que conseguiram montar pequenos negócios no Brasil e buscam mão de obra barata em seu país de origem.

 

Os parlamentares conversaram com pessoas que já estiveram no Brasil e passaram pela mesma situação flagrada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho em confecções, em situação de trabalho degradante ou análogo à escravidão. A Divisão de Tráfico de Pessoas da Polícia Nacional da Bolívia confirma que o número de pessoas aliciadas anualmente é alto e, as principais vítimas são mulheres menores de idade. Os casos são denunciados por pais que perdem contato com seus filhos no Brasil e procuram ajuda da polícia.

 

Aumentar a fiscalização parte da solução

Cláudio Puty acredita que aumentar a fiscalização a essa forma de trabalho escravo urbano é uma das medidas que podem ser tomadas para combater a prática. Outra medida é responsabilizar as grandes marcas que se utilizam dessa mão de obra ilegal. A comitiva afirma que encontrou receptividade das autoridades contatadas para promover ações integradas com o Brasil. Integraram o grupo os deputados Cláudio Puty, Amauri Teixeira (PT/BA), Ivan Valente (Psol/SP), Walter Feldman (PSDB-SP) e Oziel Oliveira (PDT-BA).

 

Com informações da Agência Câmara.

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