Justiça Federal acolhe mais uma denúncia de trabalho escravo


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
12/03/2013



O proprietário de uma fazenda localizada a 350 km de Corumbá, sem acesso por terra, e pelo rio a viagem dura cerca de sete horas, mantinha dez pessoas em condições análogas à de escravos, sendo que oito delas eram crianças.

 

O trabalhador, sua esposa e oito filhos viviam em barraco de pau-a-pique, sem água potável e nos 17 anos que viviam no local, chegaram a ficar quatro anos sem receber salário, mas somente alimentos, como pagamento pelo trabalho.

 

É importante destacar que o Ministério Público Federal tem aceito com mais frequência denúncias de trabalho escravo e degradante. O Sinait avalia essa mudança como positiva, pois muitos casos são constatados pelos Auditores-Fiscais do Trabalho em ações do Grupo Móvel e pelas equipes de fiscalização rural das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego. Apesar de ainda demorar muito para que sejam condenados os escravagistas, a possibilidade de julgamento e condenação desses criminosos que exploram trabalhadores e suas famílias já representa um avanço na luta contra impunidade. Essa é uma atitude que a sociedade certamente aprova e quer ver multiplicada.

 

Mais informações na matéria do MPF:

 


11-3-2013 – Ministério Público Federal


MPF/MS denuncia advogado por trabalho escravo em fazenda em Corumbá


 


Há 17 anos trabalhador e família vivem isolados no Pantanal. Ele chegou a ficar quatro anos sem receber salário


 


A denúncia do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) contra o proprietário da Fazenda Paraíso, em Corumbá, foi aceita pela Justiça Federal em 4 de março de 2013. O fazendeiro é acusado de reduzir trabalhador rural à condição análoga à de escravos, sujeitando-o a situações degradantes de trabalho. A vítima trabalhava há 17 anos na Fazenda Paraíso e chegou a ficar 4 anos sem salário, recebendo apenas alimentos. A pena para este crime é de reclusão de dois a oito anos e multa.

O trabalhador, a mulher e oito filhos viviam em péssimas condições, sem água potável e moradia digna. O flagrante foi feito pela Polícia Militar Ambiental em novembro de 2011. Constatou-se que a família vivia em uma casa de pau-a-pique, revestida com barro, e chão de terra. Um banheiro rudimentar feito de madeira, com 2 metros de profundidade e a 4 metros da casa, servia à família. A única fonte de água era uma cacimba cavada a céu aberto contendo líquido esverdeado. Não havia energia elétrica e toda a família dividia o mesmo quarto mal ventilado.

Segunda a denúncia do MPF, o trabalhador, pressionado pelo fazendeiro, modificou o seu relato e contou uma nova versão à polícia, tentando afastar a responsabilidade de seu patrão. A denúncia cita que a tentativa foi “em vão”.

A Fazenda Paraíso está localizada a 350 km de Corumbá, entre a reserva indígena Guató e o destacamento do Exército Brasileiro de Porto Índio. O local fica na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e na fronteira com a Bolívia. Não há sinal de telefone nem internet. O acesso à fazenda é feito por via aérea ou pelo rio. A viagem de barco rápido dura sete horas.

Referência Processual na Justiça Federal de Corumbá: 0001528-60.2012.403.6004


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