Auditores-Fiscais resgatam trabalhadores de Alagoas em situação de escravidão no interior de SP


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
11/03/2013



O grupo de nordestinos morava em alojamentos precários, com jornada de trabalho exaustiva e atraso de salários 


Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 50 trabalhadores, incluindo três menores de 18 anos, que viviam em condições precárias, análogas à escravidão, no interior de São Paulo. Os nordestinos foram aliciados em janeiro, na cidade de Teotônio Vilela (AL), e trazidos para trabalhar como metalúrgicos nos serviços de manutenção de duas usinas de açúcar e álcool de Guararapes e Buritama, no interior paulista.

 

Os trabalhadores procuraram o Sindicato dos Metalúrgicos de Araçatuba para denunciar a empresa Dias Máquinas e Equipamentos, que os contratou para prestar a manutenção da usina Unialco, de Guararapes. Segundo eles, os donos da empresa, além de os colocarem em alojamentos precários, não cumpriram as promessas de salários de R$ 1,7 mil por mês, atrasaram os pagamentos e não fizeram reembolsos das verbas de passagem de vinda, o que os impedia de retornar para suas cidades de origem. Além disso, a terceirizada da Unialco teria exposto os trabalhadores a jornadas exaustivas e se recusado a alimentar os acidentados.

 

O resgate dos trabalhadores foi feito no dia 5 de março pelos  Auditores-Fiscais  da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Araçatuba/SP e foi acompanhado por sindicalistas.

 

Os trabalhadores moravam em dois alojamentos impróprios em Guararapes. Em um dos alojamentos, de quatro cômodos, nos fundos de um hotel, não havia camas para todos. Os colchões estavam rasgados e faltavam lençóis. Em uma casa na periferia da cidade faltava até chuveiro para os trabalhadores.

 

Segundo o Auditor-Fiscal do Trabalho e gerente Regional do Trabalho e Emprego em Araçatuba, Marcos Antônio Figueiredo, a fiscalização retirou todos os trabalhadores do local e levou-os para outro alojamento, adequado, e o caso foi comunicado ao Ministério Público do Trabalho - MPT.

 

"Esses trabalhadores foram aliciados no Nordeste e trazidos sem a Certidão do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, que autoriza o transporte de trabalhadores. Não foram reembolsados pela viagem paga por eles, não tinham carteira assinada e os salários não foram pagos corretamente", disse o Auditor-Fiscal.

 

De acordo com Marcos Figueiredo, os trabalhadores estão tendo suas rescisões homologadas.  Na sexta-feira, 8, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas e Mecânicas de Araçatuba/SP e Região começaram as rescisões trabalhistas, que estão sendo acompanhadas pela fiscalização. Cada trabalhador está recebendo em média R$ 3 mil reais em verbas trabalhistas, referente ao reembolso de passagens, 13º e férias (+1/3) proporcionais e saldo de salários. 

Ainda na sexta-feira foram homologadas 26 rescisões contratuais dos trabalhadores terceirizados, da empresa Dias Máquinas e Equipamentos, que estavam alojados no município de Guararapes/SP e prestando serviços de manutenção na usina de Guararapes. Eles já retornaram a Alagoas com as despesas pagas pela usina e pela empresa terceirizada.

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.