Comerciários de São Paulo protestaram conta exploração de estrangeiros por grifes famosas


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
29/08/2011



Na sexta-feira, 26 de agosto, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo organizou uma manifestação na rua Oscar Freire, na capital paulista, onde estão lojas de várias grifes que, nos últimos dias, foram relacionadas à exploração de estrangeiros na indústria da confecção configurando casos de trabalho escravo constatados por Auditores-Fiscais do Trabalho. O objetivo foi chamar a atenção dos consumidores para que procurem saber como funciona a cadeira produtiva destas marcas antes de adquirir os produtos, pelos quais as lojas pagam quase nada e vendem com muito lucro.


 

Segundo um trabalhador boliviano que está no Brasil há dez anos, o processo de vinda para o Brasil compara-se ao sonho de milhares de brasileiros que migram para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades. O sonho, porém, quase nunca é realizado, pois as promessas não se transformam em realidade.

 

Veja mais informações nas matérias a seguir:

 

27-8-2011 – Sindicato dos Comerciários de São Paulo

Sindicato dos Comerciários de São Paulo na luta pelo trabalho decente

 

O recado foi dado, cerca de 500 pessoas tomaram a Rua Oscar Freire, conhecida como a passarela da moda, na região dos Jardins em São Paulo, nesta sexta-feira 26, num protesto pelo fim do uso de mão-de-obra escrava, que acontece na maioria das empresas do varejo da moda. 
 

A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, junto à UGT (União Geral dos Trabalhadores) Central Sindical à qual a Entidade é filiada e outros Sindicatos que se uniram à causa.

 

Segundo o presidente do Sindicato, Ricardo Patah, o objetivo da manifestação é conscientizar consumidores, principalmente de classe alta que frequentam a Oscar Freire e as lojas denunciadas sobre a importância de combater o trabalho escravo.

 

“Temos que ter consciência que não podemos colocar em nossas mãos nem na do consumidor uma mercadoria com o sangue do trabalhador, com o suor daqueles que não recebem o salário nem para viver.

O Sindicato tem o compromisso com o crescimento do País, com a inclusão social e, sobretudo com o trabalho decente. São com esses compromissos que nós não vamos de hipótese alguma permitir que nenhum trabalhador seja escravizado, seja ele, brasileiro ou não”, explica Patah.

 

26-8-2011 – Agência Brasil

Manifestantes fecham Rua Oscar Freire para protestar contra trabalho escravo em oficinas de costura

 

O sindicato dos Comerciários de São Paulo fez, na manhã hoje (26), uma manifestação na Rua Oscar Freire, onde estão concentradas lojas de grifes famosas, para protestar contra a exploração de trabalhadores bolivianos e de outras nacionalidades da América do Sul que são submetidos a condições insalubres e desumanas em confecções no interior de São Paulo.

 

Os manifestantes chamaram a atenção para as marcas Zara, Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d”água e Tyrol, que segundo a Procuradoria Regional do Trabalho em Campinas, vendem dessas marcas que são produzidas em condições semelhantes à escravidão.

 

“Queremos conscientizar os comerciários das lojas e os consumidores, porque muitas vezes eles pagam dez vezes mais do que o valor inicial da mercadoria e não sabem que esse produto está maculado com trabalho escravo ou mão de obra infantil. Essa atividade que desenvolvemos aqui na Oscar Freire é exatamente para que todos nós estejamos conscientes de que não podemos mais permitir que em um país que está se tornando cada vez mais rico, que o povo além de ser pobre tenha esse tratamento”, disse o presidente do sindicato dos Comerciários, Ricardo Patah.

 

O presidente do Instituto de Cultura e Justiça da América Latina e Caribe, René Cesar Camargo, disse que a situação da comunidade boliviana está muito ruim porque as oficinas e lojas de roupas de grande porte estão explorando os trabalhadores, passando da terceirização para a escravidão, com jornadas que chegam a 16 horas diárias. “As lojas se preocupam em lucrar e não com as pessoas. Os trabalhadores não recebem por salário e sim por produção, por peça. Só que o valor é baixo, varia de R$ 1 a R$ 2, enquanto as lojas vendem uma peça por R$ 100. As lojas pedem às oficinas que façam 300, 400 peças por semana”.

 

O modelista boliviano Horácio Jorge, contou que chegou ao Brasil há dez anos e permaneceu três anos trabalhando nessas condições. Ele disse que o ambiente de trabalho é degradante e normalmente o mesmo da moradia. Famílias inteiras são colocadas em habitações minúsculas. A alimentação é fornecida pelo empregador, mas descontada do salário, assim como o aluguel. Segundo ele, não há uma norma padronizada para o sistema de trabalho e cada oficina tem a sua maneira.

 

“O que para os brasileiros significa o sonho americano, ir para os Estados Unidos trabalhar, para nós é igual, nós temos o sonho brasileiro. Nós chegamos ao Brasil para trabalhar e ganhar dinheiro para mandar para nossas famílias em outros países. Mesmo nessas condições, quando trocamos a moeda, a quantia é boa, pois não há muito trabalho em meu país, assim como no Paraguai e no Uruguai”, disse Jorge.

 

Algumas empresas recrutam trabalhadores em países vizinhos, ou procuram um estrangeiro para fazer o aliciamento. Jorge disse que, normalmente, os estrangeiros não sabem que encontrarão as condições precárias a que serão submetidos.

 

“Eles são iludidos antes de vir. Todos podem sair dessa situação, mas a realidade é difícil de mudar, porque há muitas pessoas que trabalham assim. Com essa manifestação conseguimos mostrar o que há por trás dessas grandes grifes, mas para mudar vai demorar. As pessoas têm medo de denunciar porque essa é a única fonte de trabalho”.

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