Revista traz pesquisa que denuncia devastação ambiental e trabalho escravo na produção de aço


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
21/06/2011



 “O Aço da devastação” será lançada nesta quarta -feira (22) e revela as fraudes de uma das mais importantes cadeias produtivas do Brasil


O Instituto Observatório Social lança nesta quarta-feira (22) revista que traz a pesquisa intitulada “O Aço da devastação”, coordenada pelo jornalista Marques Casara, que revela dados sobre produção do Aço no Brasil.

 

A pesquisa começou em Nova Ipixuna (PA), onde foram assassinados dois ambientalistas que denunciaram a devastação da floresta causada pela produção do carvão e madeira.

 

Casara mostra que em algumas siderúrgicas, o uso do carvão ilegal sustenta mais da metade de toda a produção. Essa conclusão baseia-se em dados referentes à produção anual de cada siderúrgica em 2010. A pesquisa revela ainda diversos casos nos quais o carvão é entregue sem documento ou com o uso de documentos forjados e denuncia a existência de toda uma rede de conivência com crimes ambientais e trabalhistas.

 

Segundo o estudo, a lavagem de carvão proveniente de carvoarias clandestinas é resultado da retirada de madeira de áreas de preservação e utilização de trabalhadores em condições degradantes.

 

São resultados que chegam sete anos após a histórica pesquisa Escravos do Aço. Segundo o autor, a Carta-Compromisso Pelo Fim do Trabalho Escravo na Produção de Carvão Vegetal e a criação do Instituto Carvão Cidadão, que monitora a cadeia produtiva, melhoraram brutalmente as condições de trabalho nas carvoarias cadastradas pelas empresas. Mas o problema não foi resolvido. 

 

Os resultados apresentados pela pesquisa mostram carvoarias que operam dentro da lei estão sendo usadas como fachada para esconder a produção clandestina, que desmata a Amazônia e mantém trabalhadores em condições análogas à escravidão: sem registro em carteira, sem equipamentos de segurança, sem alojamentos e sem acesso nem mesmo à água potável.

 

Abaixo, veja matéria do site Observatório Social e links para veículos da imprensa que divulgaram matérias sobre a pesquisa e entrevista concedida por Marques Casara à CBN:

 

16-6-2011 – Instituto Observatório Social

Publicação que será lançada no dia 22 revela as fraudes de uma das mais importantes cadeias produtivas do Brasil



Inédita e exclusiva, a pesquisa do Observatório Social, coordenada pelo jornalista Marques Casara, revela dados vergonhosos na produção do Aço no Brasil. A pesquisa começou em Nova Ipixuna (PA), onde, no dia 24 de maio, foram assassinados José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, que denunciavam a devastação da floresta para produzir carvão e madeira.



Em algumas siderúrgicas do polo de Carajás, grandes exportadoras de ferro gusa usam carvão do desmatamento e do trabalho escravo nos processos produtivos. A prática contamina toda a cadeia produtiva do aço e chega a montadoras de veículos, fabricantes de eletrodomésticos, de aviões e de computadores.



A pesquisa detalha como operam grupos criminosos do qual fazem parte empresários, políticos e servidores do governo do Pará.



Em seu trabalho, Casara mostra que em algumas siderúrgicas, o uso do carvão ilegal sustenta mais da metade de toda a produção. Essa conclusão foi possível após a obtenção de dados referentes à produção anual de cada siderúrgica em 2010. Essas informações eram mantidas em sigilo para evitar o cruzamento de dados e a obtenção do índice de ilegalidade.



A fraude acontece por meio da compra de carvão esquentado por mecanismos de fraude diretamente ligados à corrupção nos órgãos de fiscalização. Grandes siderúrgicas exportadoras estão envolvidas, como Cosipar, Sidepar, Margusa e Gusa Nordeste.



A pesquisa revela ainda diversos casos nos quais o carvão é entregue sem documento ou com o uso de documentos forjados e como governos municipais e o governo estadual é conivente com crimes ambientais e trabalhistas, muitas vezes usando aparatos de Estado para acobertar ações criminosas que tem o objetivo de devastar áreas de preservação ambiental e terras indígenas.



Outro ponto de destaque no estudo é o passo a passo de como operam grandes complexos carboníferos usados para lavar carvão ilegal para as siderúrgicas. É o caso, por exemplo, da Indústria de Carvão Vegetal Boa Esperança, que controla 96 fornos no município de Jacundá (PA). Em março de 2011, a empresa declarava ter, no pátio, 325 MDC de carvão. A contagem forno e forno, realizada por fiscais do IB AMA, mostrou que a empresa, de fato, só tinha 113 MDC de carvão. A diferença entre 113 e 325 (212) é usada para lavar carvão proveniente de carvoarias clandestinas, que retira a madeira de áreas de preservação e usa trabalhadores em condições degradantes.



A lavagem é feita da seguinte forma: o carvão produzido em outro local usa o crédito da carvoaria legalizada para esquentar o produto e dar a ele uma aparência legal. Somente na Boa Esperança, 66% do carvão declarado pela empresa não está, de fato, no pátio. Com isso, a empresa pode vender 66% dos seus créditos de carvão. Assim, o carvão chega à siderúrgica como sendo da Boa Esperança, mas de fato veio de carvoarias ilegais. É o esquema básico de lavagem ou esquentamento e que só pode funcionar quando há conivência dos órgãos de fiscalização estaduais e municipais.



A Boa Esperança faz parte de uma rede de ilegalidade na região de Jacundá. Seu proprietário opera c om cerca de 15 CNPJs e usa essas empresas para lavar o carvão entregue para as siderúrgicas de ferro gusa. Boa parte desse carvão é fornecido por uma das mais colossais estruturas de ilegalidade existentes na Amazônia Brasileira (foto abaixo): 500 fornos que operam na clandestinidade, na periferia da cidade, a cerca de 10 quilômetros da prefeitura e que nos dias quentes mantém a pequena cidade sob um manto de fumaça proveniente dos fornos. Fumaça de carvão ilegal que todos veem, todos sentem e todos sabem onde fica.



Outro ponto que será desvendado pela pesquisa será o uso de créditos de madeira concedidos a assentamentos rurais direcionados a agricultura familiar. Novamente, os créditos de madeira são vendidos para as carvoarias. Um dos esquemas está em operação em Tucuruí. A madeira nunca sai do assentamento, mas por uma triangulação envolvendo madeireiras, empresas agropecuária e carvoarias, os créditos também são usados para esquentar carvão para o setor siderúrgico.



Nem as tradicionais quebradeiras de coco de babaçu estão livres de serem usadas pelo esquema. Como a casca do coco de babaçu não precisa de guia florestal para ser transportada até as carvoarias, as siderúrgicas supervalorizam a quantidade de carvão produzida a partir dessa matéria prima. Os pesquisadores estiveram nos locais onde as quebradeiras de coco trabalham e elas confirmam o problema, que também está sendo investigado pelo Ibama no Maranhão e no Pará.



O mesmo problema acontece com o eucalipto: também não precisa de guia florestal, de modo que as siderúrgicas maquiam boa parte da ilegalidade usando como fachada a produção de eucalipto. "As empresas precisam mostrar onde está todo esse eucalipto, pois de fato ele não existe", dizem os agentes do Ibama responsáveis pela fiscalização no Pará e no Maranhão.

Veja os links abaixo:


 

 

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