Por Andrea Bochi
Edição: Nilza Murari
Há poucos meses de completar um ano de implantação, a reforma trabalhista não concretizou os argumentos anunciados de seus idealizadores. Ao contrário, o rumo é ladeira abaixo. Quem está dizendo isso não são sindicalistas e opositores do atual governo e da reforma. É o próprio governo, em números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD trimestral, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Gerografia e Estatística – IBGE nesta quinta-feira, 16 de agosto.
O atual cenário está aí, estampado para quem quiser conferir. A taxa de desemprego que estava em 11,8% em dezembro/2017, subiu para 12,4% no segundo trimestre de 2018. O número de pessoas procurando emprego chegou ao recorde de 3,1 milhões e, o mais triste, o número de desalentados, que são as pessoas que desistem de procurar emprego por acreditar que não vão mais encontrar, está batendo o recorde, com 4,8 milhões. Para tudo isso, não há argumento que defenda que as medidas tomadas trouxeram benefícios ao trabalhador. São quase 13 milhões de desocupados. Cruzando todos os dados da pesquisa, a conclusão é de que 27,3 milhões de pessoas estão sem trabalho.
Lá se vão sete meses sob a égide das novas regras, mas não se viu redução do desemprego nem da informalidade, como prometiam os defensores das mudanças na CLT. Não faltaram gritos de alerta. O Sinait foi o precursor desses gritos. Anteviu a tragédia para o trabalhador.
Audiências, seminários, palestras, manifestações, mobilizações e até mesmo greve foram as ferramentas utilizadas pelo Sindicato para tentar conscientizar a todos dos tempos difíceis que se anunciavam.
Os números e a as dificuldades enfrentadas pela redução de postos de trabalho mostram claramente quem estava certo. De março a maio desse ano, o número de empregados com Carteira de Trabalho assinada caiu 1,1%, em comparação ao trimestre anterior. Os postos de trabalho criados estão mais precários e com salários menores.
Outra argumentação a favor da reforma trabalhista, o de que traria segurança jurídica, também foi desmascarada. As novas regras buscaram enfraquecer a Justiça do Trabalho e dificultam o acesso de pessoas de baixa renda aos tribunais. E, hoje, o que se vê é que a principal motivação para a queda das ações é que o acesso à Justiça ficou mais oneroso, para o trabalhador.
Confira a seguir matérias sobre recordes nas taxas de desemprego e a redução de empregos com Carteira de Trabalho assinada.
Jornal Nacional – Globo – 16/08