Frigoríficos buscam mão de obra em aldeias indígenas no Sul do país


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
04/09/2013



Trabalhadores deste setor são os que mais sofrem de depressão


O aumento de distúrbios mentais ligados ao trabalho atinge todos os setores da economia e já é a segunda causa de afastamento, segundo dados da Previdência Social no Brasil, perdendo apenas para doenças osteomusculares. As concessões de auxílio-doença que têm relação com o trabalho para casos de transtornos mentais cresceram 19,6% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010. Em um período pouco maior, o salto é gigantesco: de 612 em 2006 para 12.337 em 2011.


Um dos setores mais críticos é o de frigoríficos, onde a prevalência de quadros depressivos é  três vezes maior no abate de aves e suínos do que o índice geral: 209,11 a cada 100 mil trabalhadores de todos os ramos da economia contra 712,92 a cada 100 mil trabalhadores no segmento. O problema está atingindo as populações indígenas do Sul do país, que passaram a integrar os quadros funcionais dos frigoríficos de forma mais intensa a partir de 2010.


A razão para que os frigoríficos contratem índios, muitas vezes de aldeias localizadas a mais de três horas da empresa, é a falta de interesse dos trabalhadores tradicionais. O aumento do desgaste emocional e físico na atividade em um cenário de pleno emprego levou os grupos tradicionais, a exemplo de moradores da região, filhos dos pequenos produtores, a buscarem opções melhores de trabalho nas cidades, resultando em um buraco nos quadros funcionais nessas localidades.


De acordo com a advogada trabalhista da Central Sindical Popular Conlutas, de Santa Catarina, Maria Aparecida Santos, atualmente esta lacuna é coberta com índios, e mais recentemente, com refugiados haitianos.


NR 36


Em abril deste ano o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE aprovou a Norma Regulamentadora - NR nº 36 que incluiu avanços importantes para os trabalhadores deste setor, como 10 minutos de descanso a cada 50 trabalhados, entre outros itens.


A NR 36 é fruto da experiência e atuação dos Auditores-Fiscais do Trabalho, que contribuíram para sua elaboração, em conjunto com representações de empregados e empregadores em Comissão Tripartite. A construção da NR 36 teve início em 2004, com a criação de equipes de estudos e pesquisas no setor de frigoríficos, desenvolvida pelo Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho - DSST/SIT do MTE. Em 2011, foi implantado o Grupo de Estudo Tripartite - GET, por meio da portaria da SIT, que desenvolveu o texto técnico básico da norma.


Conhecida como NR dos Frigoríficos, a norma busca a prevenção e a redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, com adequação e organização de postos de trabalho, adoção de pausas para recuperação térmica, gerenciamento de riscos, disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs, adequados, rodízios de atividades, entre outras medidas.


Clique aqui para ler a íntegra da matéria publicada pela Revista Caros Amigos que relata casos de doenças de diversos trabalhadores de frigoríficos de Chapecó, em Santa Catarina.

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