Chacina de Unaí - Quatro vidas por R$ 50 mil

Um dos momentos mais aguardados do julgamento dos executores da Chacina de Unaí – o depoimento dos réus – aconteceu na noite de quinta-feira, 29 de agosto. O julgamento acontece em Bel Horizonte, na sede da Justiça Federal, presidido pela juíza substituta da 9ª Vara Federal, Raquel Vasconcelos.


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
30/08/2013



Um dos momentos mais aguardados do julgamento dos executores da Chacina de Unaí – o depoimento dos réus – aconteceu na noite de quinta-feira, 29 de agosto. O julgamento acontece em Bel Horizonte, na sede da Justiça Federal, presidido pela juíza substituta da 9ª Vara Federal, Raquel Vasconcelos.


O primeiro a falar foi Erinaldo de Vasconcelos Silva, que confessou a participação nos assassinatos. Ele contou que o fazendeiro Norberto Mânica, o “rei do feijão”, foi o mandante do crime e que dias depois da chacina o procurou para que matasse outras pessoas no Paraná, serviço que Erinaldo não aceitou fazer.


No dia anterior, Norberto Mânica já havia sido acusado de ser o mandante por Hugo Alves Pimenta, também acusado de envolvimento no crime. Ele prestou depoimento como informante no julgamento, no dia 28 de agosto. Norberto e Hugo serão julgados no dia 17 de setembro. Já o outro acusado, Antério Mânica, irmão de Norberto, ainda não teve seu julgamento marcado.


Erinaldo contou ainda sobre a participação de Rogério Alan Rocha Rios diretamente nas execuções, enquanto a função de William Miranda era auxiliar na fuga dos pistoleiros. De acordo com Erinaldo, foi ele mesmo quem convidou a dupla para participar dos assassinatos, logo que recebeu a proposta de Francisco Pinheiro, acusado de ser o agenciador e que faleceu em janeiro deste ano, em prisão domiciliar. “O Chico disse que tinha uma pessoa dando trabalho e queria que eu matasse”, contou. Segundo ele, Rogério Alan e William sabiam que o convite era para assassinar uma pessoa. O alvo era o Auditor-Fiscal do Trabalho Nelson José da Silva, mas como ele não estava sozinho, a ordem foi para matar todo mundo. Pelo serviço, Erinaldo recebeu cerca de R$ 50 mil, dos quais R$ 14 mil foram pagos a Alan e William.


Erinaldo já havia assumido as mortes, alegando que foi latrocínio. Neste novo depoimento ele afirmou que fez isso depois de receber uma proposta de Norberto Mânica para assumir sozinho o crime. "Recebi a proposta do Norberto dentro da cadeia. A gente ficava no mesmo pavilhão (citando a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte). Ele falou para eu assumir sozinho. Primeiro, me daria R$ 100 mil para eu assumir o crime em juízo. Quando chegou aqui (na Justiça Federal) ele aumentou. O valor de um caminhão com três anos de uso", disse, avaliando em cerca de R$ 300 mil a proposta.


De ladrão para mandante


Segundo Erinaldo, Rogério Alan também receberia cerca de R$ 150 mil, mas o dinheiro nunca foi pago a nenhum dos dois, o que resultou em uma carta supostamente escrita por Alan, endereçada a Norberto, cobrando tal promessa. 


Rogério Alan também já havia confessado sua participação na chacina de Unaí em depoimento à Polícia Federal, mas seu advogado, Sérgio Moutinho, alegou que ele foi "coagido" e por isso, negaria o crime em novo depoimento. Nesta quinta-feira, ele se negou a responder as perguntas da acusação, disse apenas que não participou do crime, que não reconhecia o livro de registro do Hotel Athos, em Unaí, onde os três ficaram hospedados na véspera do crime, cuja página com sua assinatura foi arrancada, porém, deixando a outra folha, com o número de seu documento de Identidade, verdadeiro.


Já para seu advogado, ele disse que nunca esteve em Unaí e que no dia do crime, 28 de janeiro de 2004, estava em Salvador. Afirmou que dois dias antes participou da festa de aniversário de seu sogro, à época. 


William Gomes de Miranda também usou o direito de permanecer calado e afirmou que foi ameaçado de morte, por isso tem medo de falar. Para seu advogado, o Defensor Público Celso Rezende ,ele confirmou que foi contratado para ser motorista de Chico Pinheiro.


A expectativa da juíza Raquel Vasconcelos é que a sentença saia nesta sexta-feira, após os debates entre defesa e acusação, que começaram por volta das 9h30. Até agora, fizeram suas exposições os procuradores do Ministério Público Federal Wladimir Aras e Míriam Lima e os advogados assistentes Francisco Rogério Del Corsi e Antônio Francisco Patente, que ainda não terminou sua oratória. 

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