Nesta terça-feira, 27 de agosto, na sessão do Tribunal do Júri que julga três réus da Chacina de Unaí, durante toda a tarde, a partir das 12h30, até às 22h15, quando os trabalhos foram suspensos pela juíza federal Raquel Vasconcelos, foram ouvidas oito testemunhas do caso. Também foram ouvidas Marinês Lina de Laia e Helba Soares, viúvas dos Auditores-Fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves e Nelson José da Silva, na condição de informantes.
O depoimento mais longo foi o do Delegado da Polícia Federal, recém aposentado, Antônio Celso dos Santos, que conduziu as investigações à época. Ele foi interrogado pelos procuradores do Ministério Público Federal Miriam do Rosário Lima e Wladimir Aras, e pelos advogados dos réus durante toda a tarde. Ele revelou detalhes das investigações para esclarecer os jurados sobre as circunstâncias do crime.
A testemunha seguinte foi Vilma da Slva Ferreira, policial militar que foi o primeiro a encontrar as vítimas no Trevo das Sete Placas, em Unaí, local até onde o motorista Ailton Pereira de Oliveira conseguiu levar a caminhonete do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE depois de ter sido baleado na emboscada em estrada rural da região.
Prestou depoimento, também, Matusalém Silvério da Silva, que comprou a arma usada no crime pelo pistoleiro Erinaldo de Vasconcelos Silva, alegando que não sabia que havia sido utilizada para o assassinato dos Auditores-Fiscais do Trabalho e do motorista do MTE. Após reparar um defeito constatado, vendeu a arma.
Sebastião Augusto Pimentel, próximo depoente, à época do crime, era dono de uma locadora de veículos em Formosa (GO) e foi quem locou o veículo Gol vermelho, usado no crime, para Francisco Elder Pinheiro, conhecido como Chico Pinheiro, poucos dias antes da chacina.
O técnico de saneamento José Geraldo Cordeiro Gonçalves foi interrogado. Ele, com uma equipe de empregados, cavaram a fossa séptica em que foi encontrado o relógio de pulso do Auditor-Fiscal do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves, assassinado no dia 28 de janeiro de 2004.
Ainda prestou depoimento, como testemunha, Rita Cristina Neiva Mundim, que era funcionária terceirizada da Subdelegacia do Trabalho e Emprego de Paracatu. Ela contou que, no dia do crime, por volta de 10 horas da manhã, recebeu um telefonema de Antério Mânica perguntando se os Auditores-Fiscais do Trabalho haviam morrido. Ela ainda não tinha conhecimento do crime. Logo em seguida, segundo o relato de Rita, novamente Antério Mânica telefonou para a Subdelegacia, desta vez para informar que todos haviam morrido.
Foi ouvida, também, Ellen Fernandes de Melo, à época, empregada da empresa Huma Cereais, de propriedade de Hugo Alves Pimenta. Ela disse que conhecia também José Alberto de Castro e Norberto Mânica, para quem a empresa fazia pagamentos de despesas pessoais com frequência. De acordo coma testemunha, que trabalhava na área financeira da empresa, chamou a atenção, na ocasião, um pagamento feito em espécie, pois tudo era feito por meio de cheques. O pagamento, segundo consta das investigações, foi para os contratados para executar os assassinatos.
O último depoimento da noite foi do Auditor-Fiscal do Trabalho Fábio Antônio Gomes Araújo. Ele contou que estava presente, juntamente com o Auditor-Fiscal do Trabalho Joaquim Elégio, no escritório de Norberto Mânica, após uma fiscalização em Unaí em 2003, quando o empresário ameaçou o Auditor-Fiscal do Trabalho Nelson José da Silva e obstruiu a saída de todos eles da sala, com um “chucho” (objeto pontiagudo utilizado na região para furar sacos de feijão e colher amostras). A intimidação foi imediatamente reportada por Elégio à chefia da fiscalização em Belo Horizonte, e só depois de ter ciência disso, Norberto Mânica teria desimpedido a saída. O caso foi incluído no relatório da fiscalização de Fábio e de Nelson, sendo este último mais detalhado.
Nas fiscalizações realizadas, segundo Fábio, foram encontrados trabalhadores sem registro na fazenda de Celso Mânica e alojamentos inadequados na fazenda de Norberto Mânica. O embaraço à fiscalização, efetivada no escritório da empresa, rendeu mais um auto de infração ao fazendeiro Norberto Mânica.
A sessão foi suspensa às 22h15.
Hoje
Nesta manhã de 28 de agosto, os trabalhos foram retomados às 9h30. A juíza Raquel Vasconcelos segue convocando as testemunhas arroladas para prestarem depoimento. O primeiro chamado foi o delegado da Polícia Civil Wagner Pinto de Souza, que também atuou nas investigações do caso. Ele foi interrogado até às 11h30. Assim como o delegado da Polícia Federal Antônio Celso dos Santos, ele fez um resumo das investigações e da conclusão a que levaram, baseado nas provas colhidas e depoimentos dos réus.
Está sendo ouvido, no final da manhã, o policial civil João Alves de Miranda, que fez parte da equipe de investigadores que desvendou o crime. Ele dá ainda mais detalhes da investigação procedida pelas polícias Civil e Federal – que atuaram em conjunto, as diligências realizadas, como as informações coletadas foram confirmadas e o quebra cabeças foi se formando.
Segundo informou a assessoria da Justiça Federal, nesta terça-feira serão ouvidas sete testemunhas. Entre elas, está o também réu Hugo Alves Pimenta. Este é o depoimento mais aguardado. Serão também ouvidos os réus Erinaldo de Vasconcelos Silva, Rogério Alan Rocha Rios e William Gomes de Miranda.
A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, continua acompanhando o julgamento. A previsão é de que a sessão dure até sexta-feira, 30 de agosto.