Auditores-Fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Alagoas – SRTE/AL interditaram matadouros nas cidades de Cajueiro e Maribondo no interior do Alagoas, no dia 23 de agosto. Nesses locais, eles encontraram trabalhadores em situações irregulares e em condições insalubres. As duas cidades ficam distantes 70 quilômetros da capital Maceió.
A operação foi realizada em parceria com a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal). No total, já foram fechados 19 estabelecimentos de abate entre os mais de 40 existentes no estado de Alagoas.
De acordo com o coordenador de Fiscalização Rural da SRTE/AL, o Auditor-Fiscal Gilberto Vasconcelos, desde 2012, há um projeto em curso para vistoriar todos os matadouros do Estado. “Estamos preocupados com a saúde da população e também com a dos empregados que trabalham nos matadouros”.
Nas duas cidades, Cajueiro e Maribondo, foram encontradas várias irregularidades. Em Cajueiro, os empregados laboravam no Matadouro Municipal de Animais sem luvas e rostos desprotegidos. Os Auditores-Fiscais constataram o abate de um boi com uma lança enfiada em sua cabeça e concluído a golpes de machado. “Os procedimentos estão em desacordo com as normas sanitárias e ainda observamos que, no ambiente, os empregados retiravam o couro, as vísceras e a carne de 70 bois no chão coberto de sangue, moscas e insetos”.
Segundo o Auditor-Fiscal, o município de Maribondo, há 30 km de Cajueiro, outros 60 bovinos foram abatidos nas mesmas condições em outro Matadouro Municipal. “São cenas de trabalho desumano e falta de higiene no abate de bovinos e suínos”.
O coordenador Gilberto Vasconcelos informa ainda que no momento da chegada das equipes, os empregados correram para calçar luvas e botas com o objetivo de evitar a intervenção da Fiscalização. “A área encontrada era insalubre com o chão cheio de sangue e vísceras. A água suja do chão escorria por canaletas sem grades de proteção, que era despejada em um terreno a céu aberto próximo a um afluente de rio da região”.
Irregularidades
Durante a fiscalização em Cajueiro, os Auditores-Fiscais viram quatro homens matando um porco a pauladas e retirando o couro com água quente sem nenhuma proteção. Para Gilberto Vasconcelos as normas de higiene e trabalhista não estão sendo cumpridas. “O abate está sendo feito no chão, quando deveria ser feito pendurado a um trilho preso ao teto, não há grades nas canaletas, faltam serras e ferramentas adequadas, Equipamentos de Proteção Individual - EPI como toucas, luvas, botas e a pistola pneumática para o abate".
Segundo o coordenador, "o matadouro foi interditado e só será reaberto quando atender às exigências sanitárias e trabalhistas. Quem desobedecer e retomar as atividades, pode ser preso por descumprimento à lei".
Matadouro
O administrador do estabelecimento, José Henrique da Silva, afirmou que já havia solicitado pistolas pneumáticas e EPIs ao secretário de Agricultura do Município há três meses. "Fiz um relatório informando tudo que era necessário e eles nos disseram que o material já está sendo comprado", afirmou.
Maribondo
Na cidade de Maribondo, 30 km de Cajueiro, as equipes constataram falhas semelhantes às encontradas em Cajueiro e também interditaram o Matadouro Municipal.
Reunião sobre os matadouros regionais
Nesta segunda-feira, 26, a Associação dos Municípios de Alagoas (AMA) vai se reunir com prefeitos, secretários de Agricultura e representantes da SRTE/AL, no período da tarde, com o objetivo de discutir a situação dos matadouros do Estado.
De acordo com Gilberto Vasconcelos, durante a reunião, os representantes da SRTE/AL irão "apresentar as imagens realizadas das interdições com o intuito de mostrar a falta de condições adequada e os perigos de saúde sobre o tipo de carne que podem ser consumidas e buscar soluções”. Segundo ele, “existe uma verba disponível em Maceió, liberada pelo Ministério da Agricultura, que é destinada à construção de dois matadouros regionais modernos em União dos Palmares e Viçosa. Agora a questão é querer fazer".
Gilberto Vasconcelos informa também que os matadouros de Maceió, Arapiraca e Delmiro Gouveia são os únicos a seguirem os padrões exigidos por lei. "As vistorias não vão acabar e estamos começando um importante trabalho para mudar a situação em que esses estabelecimentos se encontram hoje. Matadouros encontrados com irregularidades serão interditados”.
Com informações da SRTE/AL e G1 Alagoas.