Enquanto fazia a vigilância noturna de uma indústria do ramo nuclear, um empregado da área de segurança caiu em uma bacia, de 20 mil metros cúbicos, que continha urânio, ácido sulfúrico e outros compostos químicos e sobreviveu. O acidente ocorreu no dia 26 de junho, em Caetité, na Bahia, mas foi divulgado nesta quinta-feira, 4.
Segundo informações da Revista Proteção, além de trabalhar 12 horas por dia, o empregado não estava usando guarda-corpo, equipamento que evita esse tipo de acidente, na hora do ocorrido. A matéria também acrescenta que o vigilante passou três horas embaixo do chuveiro para descontaminação.
A empresa emitiu uma nota em que afirma que o banho teria sido de 25 minutos e que o trabalhador teve os resíduos retirados da pele e passou por supervisão de Proteção Radiológica.
Gravidade
Para o Sinait, o acidente foi gravíssimo por expor o empregado a substâncias nocivas à saúde. Ao ter contato frequente com o corpo humano, o Urânio é cumulativo, ou seja, o organismo não o elimina. A médio e longo prazo, o elemento químico pode causar doenças como câncer pulmonar. Grande parte das vítimas são trabalhadores da área de mineração.
Já o Ácido Sulfúrico, usado em vários processos industriais, em contato com o ser humano, pode causar queimaduras na pele, olhos, nas vias respiratórias e até no aparelho digestivo. As lesões variam de acordo com a concentração e tempo de exposição ao composto químico.
O Sindicato reitera que o aumento do número de Auditores-Fiscais do Trabalho, com a realização de mais concursos públicos com números significativos de vagas, é uma das medidas que o Estado Brasileiro precisa tomar para impedir e prevenir acidentes de trabalho. Ao ano, a Previdência Social registra mais 700.000 acidentes de trabalho, sendo que mais de 2.000 foram fatais. Enquanto isso, o quadro de Auditores-Fiscais torna-se cada vez mais defasado.
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4/7/2013 - Revista Proteção
Um funcionário de uma usina das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) no município de Caetité (BA) caiu em uma bacia do sistema de produção de concentrado de urânio. O acidente aconteceu no último dia 26, mas foi divulgado nesta quarta-feira (4), pelo Movimento Paulo Jackson - Ética, Justiça e Cidadania.
O trabalhador Gilson Fraga fazia a vigilância noturna da usina quando caiu em uma bacia com 20 mil metros cúbicos de líquido radioativo, que continha ácido sulfúrico e outras substâncias químicas, conforme noticiou o site Bahia Notícias.
Representantes do Movimento Paulo Jackson - que denuncia problemas sócio-ambientais causados pela mineração no sudoeste do estado - afirmaram ainda que o funcionário trabalhava 12 horas por dia, e a indústria não possuía guarda-corpo para evitar acidentes deste tipo.
Segundo informações do portal A Tarde, Gilson sobreviveu ao acidente após passar três horas embaixo de um chuveiro, o que teria contribuído para a descontaminação do seu corpo. A INB, por sua vez, em nota de esclarecimento enviada por sua assessoria de comunicação, comunica que o banho do funcionário teria sido de 25 minutos.
Nota de Esclarecimento da INB
"A INB informa que no dia 26 de junho, às 6 horas da manhã, um vigilante que fazia a ronda nas áreas externas da unidade caiu numa bacia por onde circulam águas de processo industrial. Ele tomou banho por 25 minutos, para garantir a remoção de qualquer resíduo de sua pele, foi atendido pelo médico do trabalho, que não constatou nenhum ferimento em seu corpo, e todo o tempo recebeu acompanhamento da supervisão de Proteção Radiológica, que não detectou nenhuma contaminação. O mesmo ficou comprovado pelos exames laboratoriais de sua urina.
O incidente foi comunicado aos órgãos fiscalizadores das atividades da INB: o IBAMA e a Comissão Nacional de Energia Nuclear, assim como às autoridades do município de Caetité - o prefeito e o presidente da Câmara de Vereadores."