Sanitarista trata dos impactos da organização do trabalho nos adoecimentos


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
06/06/2013



A revista “Proteção” deste mês, edição 255, traz uma entrevista com a médica sanitarista Maria Maeno, da Fundacentro, em que ela trata dos impactos da organização do trabalho nos adoecimentos dos trabalhadores.


De acordo com a médica, os acidentes de trabalho e as doenças profissionais clássicas, como perdas auditivas, silicoses e intoxicações por metais, continuam ocorrendo. Mas paralelamente à exposição a fatores físicos, químicos e biológicos presentes nos ambientes de trabalho, aspectos da organização do trabalho têm causado adoecimentos variados e frequentes. Ela atribui este fato à forma de organização do trabalho, que tem privilegiado essencialmente o desempenho das empresas e sua capacidade de competir no mercado, sem considerar as características do ser humano que nelas trabalha.


Segundo a sanitarista, em geral, as empresas não reconhecem que as suas condições não são as ideais para os empregados e tentam colocar a culpa dos adoecimentos nos próprios trabalhadores. Outra tendência do empregador, segundo a sanitarista, é atribuir o adoecimento a um fator externo ao trabalho. Em saúde mental essa tendência é ainda mais acentuada, diz Maria Maeno, mas, para ela, é fruto de um processo de desgaste gradativo, tanto pelos aspectos da organização do trabalho como pela forma de gestão, caracterizada pela pressão, ameaças explícitas ou implícitas, desvalorização do trabalhador, gerando clima de medo, insegurança e baixa autoestima.


Análise de acidentes


Na entrevista, a médica diz, ainda, que a tendência das pessoas que fiscalizam os acidentes de trabalho é culpar o trabalhador por sua distração.


O Sinait não concorda com esta afirmação e destaca que, ao contrário das pessoas que integram comissões formadas dentro das empresas para investigar acidentes, os Auditores-Fiscais do Trabalho atuam para mudar este quadro e promover melhorias para o trabalhador. Na grande maioria das análises realizadas, a conclusão é de que houve falha na segurança do ambiente de trabalho e que se as exigências legais fossem atendidas os acidentes poderiam ter sido evitados.


As análises de acidentes feitas pelos Auditores-Fiscais contribuem para corrigir as falhas que provocaram os acidentes e, consequentemente, obrigam o empregador a promover mudanças positivas no ambiente de trabalho.   


A fiscalização trabalhista tem atuado na proteção dos trabalhadores ao exigir o cumprimento das normas que asseguram sua saúde e segurança. Nos últimos anos, várias NRs têm sido criadas ou atualizadas, com a ajuda dos Auditores-Fiscais do Trabalho, para acompanhar as mudanças no mercado, provocadas pelo desenvolvimento econômico e tecnológico. A mais recente foi a Norma Regulamentadora – NR nº 36, que regulamenta condições de trabalho em áreas de abates e processamentos de carnes e derivados. 


Outras NRs estão sob consulta publica: texto que cria uma NR sobre Segurança em Plataformas de Petróleo, a atualização da NR 18 – sobre construção civil e da NR 13 – sobre caldeiras e vasos de pressão, e dos anexos II e IV da NR 16 – sobre atividades e operações perigosas. O enderece eletrônico para conferir todos os textos e enviar sugestões é: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm.


As NRs buscam a prevenção e a redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, com adequação e organização de postos de trabalho, adoção de pausas, gerenciamento de riscos, disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados, rodízios de atividades, entre outras.


Para Maria Maeno, é preciso encontrar formas de tornar o trabalho fator de saúde e não de adoecimento. Neste sentido, a luta é para que haja uma política pública que resgate os valores do trabalho, da vida e da saúde do trabalhador. São objetivos comuns com a Auditoria-Fiscal do Trabalho.


Clique aqui para ler a íntegra da entrevista.

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