Após denúncias, Auditores-Fiscais encontram trabalhadores de multinacional em alojamentos impróprios em Cuiabá

Trabalhadores estão alojados em antigo hospital psiquiátrico e prestam serviços para filial de empresa multinacional


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
16/05/2013



Trabalhadores estão alojados em antigo hospital psiquiátrico e prestam serviços para filial de empresa multinacional


Nesta terça-feira, 14 de maio, Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso foram verificar denúncias de más condições de alojamentos de centenas de trabalhadores em Cuiabá. As denúncias foram feitas pela da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Mato Grosso – Fetiemt, cujos dirigentes entraram nos alojamentos e fotografaram as péssimas condições de conservação do alojamento, especialmente dos banheiros.


Os trabalhadores são contratados de uma filial da Toshiba e de empresas terceirizadas, e vieram de vários Estados, como Alagoas e Maranhão, com promessas de bons salários. Eles fazem serviços de montagem de linha de transmissão de energia no Distrito Industrial de Cuiabá. As promessas, segundo depoimentos dos trabalhadores, não foram cumpridas. Alguns reclamavam que os salários anotados na Carteira de Trabalho são menores que o prometido e outros disseram que foram demitidos, mas a empresa não entregou os documentos de volta, por isso, não podiam ir embora.


O alojamento foi instalado nas dependências de um antigo hospital psiquiátrico em Cuiabá, desativado desde 2004. Segundo os Auditores-Fiscais do Trabalho, nos quartos havia camas e beliches, com roupa de cama para todos, ar condicionado e vestiário. Ali, o principal problema constatado foi a falta de limpeza. A exigência da fiscalização foi que sejam alojados apenas três trabalhadores em cada quarto, ao invés de cinco, como encontraram. 105 trabalhadores foram transferidos para um hotel e outros 378 permaneceram nos alojamentos.


A situação crítica está nos banheiros, sem portas, muitos sem os vasos sanitários, apenas com buracos no chão, onde os trabalhadores, por serem muitos, eram obrigados a fazer suas necessidades fisiológicas. As paredes nos locais onde estão os chuveiros apresentam infiltrações e a água, de acordo com informações dos trabalhadores, é de poço artesiano e é “ruim”. Eles contaram que muitos tiveram coceiras no corpo e dor de barriga por causa da má qualidade da água.


Quatro conjuntos de banheiros foram interditados pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, em duas alas do alojamento. A empresa tem até o dia 20 de maio para fazer as reformas mínimas necessárias para atender às exigências da lei. Não será possível fazer todas as mudanças exigidas pelas Normas Regulamentadoras, pois as instalações são muito antigas.


Os trabalhadores demitidos que estavam com os documentos retidos já os receberam de volta e também receberam os acertos devidos.


Foram lavrados vários autos de infração referentes às Normas Regulamentadoras – NRs 18 e 24, respectivamente, sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção e Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho. A empresa foi notificada a apresentar documentos para verificação. A ação ainda está em andamento.


Com informações da SRTE/MT e do G1 Mato Grosso.


 

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