A negação da existência de trabalho escravo, por parte de parlamentares integrantes da bancada ruralista na Câmara, é assunto do artigo que o Sinait reproduz em sua área de Mídia – Artigos Externos, cujo autor é assessor da liderança do Partido dos Trabalhadores – PT, João Marcelo Intini. No texto, o articulista, após contextualizar as mudanças históricas ocorridas no mundo trabalhista brasileiro, que deveriam significar uma mudança radical na mentalidade escravagista, relata fatos em que esses parlamentares, além de negar a existência de trabalho escravo, criticam o combate à prática efetivada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho.
Apesar das estatísticas e das provas contundentes colhidas pela Fiscalização do Trabalho, a conduta ruralista, segundo o autor, revela que apenas foi dada uma roupagem moderna para a antiga “Casa Grande” dos tempos coloniais, e os “coroneis”, travestidos pelo comportamento difuso da democracia representativa, continuam os mesmos.
Em uma das declarações relatadas pelo autor, os ruralistas atacam os Auditores-Fiscais do Trabalho chamando de “exageros desnecessários” os resultados do combate ao trabalho escravo.
Na visão do Sinait, o autor se equivoca, entretanto, ao atribuir ao deputado ruralista Giovanni Queiroz, a deferência por ser o único a admitir a existência da prática, esquecendo-se do conhecido “Caso Pagrisa”, em que o parlamentar foi um dos defensores dos dirigentes da empresa, que mantinha escravizados mais de mil trabalhadores. Na ocasião, o deputado acusou os Auditores-Fiscais do Trabalho de terem “montado um circo para a mídia”, antes mesmo de conhecer os fatos que haviam gerado as acusações contra a Pagrisa. O posicionamento observado em audiência pública na Câmara em 2012, não o isenta da atitude intimidatória do passado.
Leia o artigo “Ruralistas e a existência do trabalho escravo no Brasil: a negação da verdade”, na área de Mídia – Artigos Externos, que destaca também a atuação dos parlamentares, que causou o fim da CPI do Trabalho escravo.