Estudo do INEP revela aumento da participação feminina nos índices de desemprego e evasão escolar


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
03/02/2011



Próximo ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulga estudos que avaliam a inserção das mulheres jovens no mercado de trabalho.

 

De acordo com o estudo, o alto percentual da população feminina com idade entre 18 e 24 anos que não trabalha e está fora das salas de aula pode ser atribuído à maternidade e ao casamento. E, ainda, 75% do total de 1,2 milhões de jovens que concluíram apenas o ensino médio e não estão trabalhando, são do sexo feminino.

 

A pesquisa revela que a desigualdade entre homens e mulheres ainda está muito presente em nossa sociedade e não somente em termos de diferenças salariais, mas no próprio acesso ao mercado de trabalho. A mentalidade de que a mulher deve cuidar da casa e dos filhos ainda está muito arraigada e tudo que difere dessa realidade é passível de críticas.

 

Uma das alternativas para essas jovens mães que querem trabalhar e estudar é a ampliação do número de creches, saída citada por Roberto Gonzales, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Abaixo, matéria do jornal Estado de Minas reproduzida pela Agência Brasil:

 

2-2-2011 – Estado de Minas / Agência Brasil

 

Mulheres são maioria entre jovens fora da escola e do mercado de trabalho

           

Uma vez que o processo de escolarização foi quebrado, o retorno aos estudos é bem mais difícil              



Parte da população de 18 a 24 anos do país faz parte de um grupo que nem estuda nem trabalha. São cerca de 3,4 milhões de jovens que representam 15% dessa faixa etária. Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostra que as mulheres são mais afetadas por esse problema, muitas vezes em função da maternidade e do casamento.

 

Do total de jovens fora da escola e do mercado de trabalho, 1,2 milhão concluiu o ensino médio, mas não seguiu para o ensino superior e não está empregado. A proporção de jovens nessa situação aumentou de 2001 a 2008, segundo o Inep, e quase 75% são mulheres. Uma em cada quatro jovens nessa situação tinha filhos e quase metade delas (43,5%) era casada em 2008.

Para Roberto Gonzales, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo reflete que a desigualdade de gênero ainda persiste não apenas na diferença salarial, mas no próprio acesso ao mercado de trabalho. “Isso tem muito a ver com a divisão do trabalho familiar, seja doméstico ou de cuidados com o filho. É uma distribuição muito desigual e atinge em especial as mulheres, por isso você tem tantas meninas fora do mercado e da escola”, diz.

 

Entre as mulheres de 18 a 24 anos que estão na escola e/ou no mercado de trabalho, o percentual daquelas que têm filhos é cinco vezes menor. Segundo o estudo, os dados comprovam que “existe forte correlação entre casamento/ maternidade e a saída, mesmo temporária, da escola e do mercado de trabalho observada para as mulheres”.

 

Uma vez que o processo de escolarização foi quebrado, o retorno aos estudos é bem mais difícil. Para Gonzales, esse afastamento do jovem do mercado de trabalho ou dos estudos pode não ser apenas uma situação “temporária”, como sugere o estudo. Um dos fatos que corroboram essa teoria é a queda da matrícula entre 2009 e 2010 nas turmas de Educação de

Jovens e Adultos (EJA), segundo dados do último censo escolar.

 

“A baixa escolaridade não é uma barreira absoluta ao mercado de trabalho, mas é um problema porque há a possibilidade de criar-se um círculo vicioso. A mulher não terá acesso a bons empregos que dariam experiência profissional e poderiam melhorar sua inserção no futuro”, alerta.

 

Gonzales afirma ainda que as políticas públicas precisam ser mais flexíveis e acompanhar os “novos arranjos” da sociedade para garantir mais apoio a esse grupo de jovens mães. “As pessoas costumam ter uma ideia mais tradicional de educação em que os pais provêm o sustento para que o filho termine a escolaridade, depois ele segue para o ensino superior e entra no mercado de trabalho. E, na realidade, esses eventos não acontecem necessariamente nessa ordem. Assim como temos muitos jovens casais, também temos famílias monoparentais chefiadas por mulheres com filho e isso, muitas vezes, abre espaço para outras trajetórias de vida”, explica.

 

Uma das estratégias básicas para garantir que a jovem consiga prosseguir com seus estudos ou ingressar no mercado é a ampliação da oferta em creche. Atualmente, menos de 20% das crianças até 3 anos têm acesso a esse serviço no país. “Essa é uma das principais barreiras alegadas pelas mulheres inativas”, indica Gonzalez.

 

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