36º Enafit: Trabalhadores resgatados participarão da 1ª Corrida contra a Escravidão


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
14/11/2018



Por Sandra Carvalho, da Delegacia Sindical do Mato Grosso, e Dâmares Vaz


Edição: Nilza Murari


Dezenove trabalhadores resgatados de condições análogas às de escravo participarão da 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão, que ocorrerá na próxima terça-feira, 20 de novembro, em Cuiabá (MT). A prova integra a programação do 36º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho – Enafit, que será realizado de 18 a 23 de novembro no Centro de Eventos do Pantanal. Os trabalhadores estão inseridos no Programa Ação Integrada – PAI em Santo Antônio do Leverger, município da Baixada Cuiabana, em que recebem qualificação profissional.


Reginaldo dos Santos Almeida, 52 anos, faz parte do grupo de egressos do trabalho escravo. Ele mora no município de Ribeirão Cascalheira, a 700 km de Cuiabá, na região do Araguaia. Foi resgatado há 6 anos de uma fazenda onde trabalhava numa carvoaria, submetido a condições degradantes.


De acordo com o relato do trabalhador, o trabalho tinha que ser feito dia e noite. “Eu passava o dia enchendo os fornos e à noite cuidava da carvoaria e ia ensacando pra poder mandar o carvão para fora.” Todo o serviço era executado sem nenhum equipamento de proteção.


O dinheiro que deveria receber pela jornada era anotado em um caderno, mas acabava nas mãos do patrão, que alegava que a renda cobria apenas as despesas com alimentação. “Uma vez por semana o dono da carvoaria trazia mantimentos. Na hora de acertar, cobrava como se trouxesse comida todos os dias”, conta Reginaldo.


Na carvoaria, havia mais cinco trabalhadores nas mesmas condições. No entanto, no dia em que Reginaldo foi resgatado por Auditores-Fiscais do Trabalho, apenas ele estava no local, com a esposa e o filho recém-nascido.


Depois do resgate, Reginaldo fez um curso de pedreiro em Paranaita, na região norte de Mato Grosso, onde passou a exercer a nova profissão em melhores condições de trabalho. Comprou um terreno, construiu sua própria casa e seguiu trabalhando por conta própria. Na época foi acolhido pelo PAI, recebeu orientações sobre seus direitos trabalhistas, e nunca mais voltou à situação de escravidão.


Mas Reginaldo nutre uma grande preocupação: “Será que outros terão a chance que nós estamos tendo? A lei trabalhista está mudando muito. E se, amanhã, outros não tiverem a mesma oportunidade que o PAI nos dá?”, questiona.


Idealizador do PAI


Valdiney de Arruda é presidente da Delegacia Sindical do Sinait em Mato Grosso – DS/MT, um dos idealizadores do PAI e da 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão. “O PAI nasceu em 2009, patrocinado e coordenado pelo Ministério do Trabalho, por meio da Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso, com o objetivo de acolher as vítimas do trabalho escravo”.


As fiscalizações, relata Valdiney, ocorriam, mas os egressos muitas vezes retornavam a essas condições por não terem superado vulnerabilidades, como a falta de formação educacional e profissional. Fornecer essa formação é uma das principais metas do programa.


A Corrida


A 1ª Corrida Nacional contra a Escravidão tem por objetivo dar visibilidade à luta incessante dos Auditores-Fiscais contra todas as formas de trabalho forçado e ganhar a adesão ao movimento de parcela da sociedade que ainda não se deu conta do grave problema.


A largada será às 7 horas na Rua Estevão de Mendonça, nas imediações do Parque Mãe Bonifácia, um símbolo de luta contra a escravidão. A corrida contará com as distâncias de 5 e 10 km. Haverá também uma caminhada de 2,5 km.


Entrega dos kits da corrida


Público em geral e enafitianos não isentos da taxa de inscrição: Dia 19 de novembro, segunda-feira, das 10h às 22h, na Loja Mundo Verde do Shopping Pantanal.


Enafitianos isentos da taxa de inscrição: Os kits deverão ser retirados na hora do credenciamento no Centro de Eventos do Pantanal.

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