Foi aberta nesta terça-feira, 8, a III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, que vai até o dia 10. O evento, que está sendo realizado pela Organização Internacional de Trabalho - OIT, em Brasília, no Hotel Royal Tulip, reúne mais de 1.200 pessoas, entre representantes de entidades, organismos internacionais, governos e organizações não governamentais. Vários Auditores-Fiscais do Trabalho do Brasil e Inspetores do Trabalho de outras partes do mundo estão participando ativamente das plenárias e semi-plenárias.
Durante a abertura, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, afirmou que as 168 milhões de crianças que ainda trabalham no mundo representam um fracasso coletivo, apesar da redução de 31% em relação ao ano 2000, quando o número era de 246 milhões. Para ele, um dos problemas que levam à prática é a falta de investimento em educação.
A presidente Dilma Rousseff e o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, também participaram da abertura. Dilma concordou com Guy Ryder em seu discurso. “As crianças devem estudar para que possamos evitar a repetição entre gerações do ciclo da pobreza. Para nós, essa é uma convicção profunda, o caminho da superação da miséria para as crianças é renda e trabalho para os adultos das famílias, e educação para elas”, disse.
A presidente também destacou que a incidência de trabalho infantil no mundo ocorre em países pobres e ricos, por isso é um desafio global. “Combater essa chaga é talvez uma das grandes tarefas morais, éticas, sociais, econômicas que nos cabe. É um imperativo moral sim, pois as crianças são o segmento mais vulnerável e indefeso de nossa sociedade. E são sempre nosso presente e futuro”, completou.
No Brasil, os Auditores-Fiscais do Trabalho cumprem um papel decisivo no combate ao trabalho infantil. “Quase sempre somos os primeiros a nos deparar com a situação, a conversar com as crianças, perguntar se frequentam a escola. Também alertamos os pais sobre os prejuízos que a atividade causa à saúde e ao desenvolvimento intelectual delas”, afirma a Auditora-Fiscal Marinalva Dantas (RN), que hoje participou da semi-plenária sobre trabalho infantil doméstico e nesta quarta, 9, será relatora na semi-plenária sobre o papel do sistema judicial no combate ao trabalho infantil.
No Rio Grande do Norte, Marinalva acompanha a situação das crianças que quebram castanhas de caju, considerada uma das piores formas de trabalho infantil.
Segundo a diretora regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, em entrevista ao jornal “O Globo”, o mundo não vai conseguir eliminar as piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades domésticas e agrícolas, até 2016. Das 12,5 milhões de crianças trabalhando na região, 9,6 milhões são submetidas às piores formas.
A programação da III Conferência Global está sendo transmitida ao vivo no site http://childlabour2013.org/.
Mais informações sobre o evento aqui.
Com informações do jornal “O Globo”.