Auditores-Fiscais do Trabalho interditaram dois trens e todo o serviço de acoplagem do sistema metroferroviário de Fortaleza (CE) – Metrofor, além de autuar a empresa responsável, Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos, nesta terça-feira, 23 de julho, por não oferecer condições de segurança aos empregados. Foi constatado grave e iminente risco para os trabalhadores, que poderiam sofrer choque elétrico, quedas e atropelamento.
Não houve paralisação no transporte metroferroviário de Fortaleza por conta da utilização dos Veículos Leves sobre Trilhos - VLT e outros tipos de trem com sistemas diferentes dos que foram interditados.
De acordo com o Auditor-Fiscal do Trabalho João Batista Brandão Júnior, que realizou a fiscalização, a interdição e autuação, as partes internas dos quadros elétricos, de 600 volts, que realizam a ignição das locomotivas e as fazem operar, acelerar, frear e também geram energia para iluminação dos vagões e funcionamento das portas, estavam desprotegidas. Dessa forma, os maquinistas poderiam sofrer choque elétrico quando entrassem em contato com as mesmas, principalmente porque os quadros elétricos não permaneciam fechados durante a viagem.
Ele completa que uma das chaves “tipo faca” usada pelos maquinistas para acionar a ignição das locomotivas também não estava isolada para entrar em contato com os componentes elétricos. “Além disso, sem a proteção na parte interna dos quadros, o revestimento de metal que os cobre poderia transmitir corrente elétrica porque, enquanto a locomotiva está operando, os contatores, que ficam dentro dos quadros elétricos, produzem curtos-circuitos”, explica. Também corriam risco os trabalhadores que atuam na manutenção das locomotivas.
João Batista informa que não ficou demonstrado que os maquinistas possuíam treinamento. Também foi constatada a falta de Equipamento de Proteção Individual – EPI e de Equipamento de Proteção Coletiva – EPC, que poderiam evitar choques elétricos.
Serviços de acoplagem
Segundo o Auditor-Fiscal, não havia medida de proteção coletiva contra quedas dos manobristas, que atuam no serviço de acoplagem das locomotivas ao vagão gerador, local onde ficam armazenados cerca de 900 litros de óleo diesel. “Para realizar a função, eles precisam subir em passarelas laterais ou ficar em cima do estribo, uma superfície em frente à locomotiva. Porém, não havia guarda-corpo e, como estão sempre próximos aos trilhos, poderiam ser atropelados ou esmagados”, explica.
O que fazia o risco ser ainda maior, era a dificuldade de visualização do maquinista, caso o manobrista estivesse em cima do estribo.
Infrações
A empresa responderá por nove autos de infração, lavrados pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, por não cumprir várias Normas Regulamentadoras – NRs. João Batista completa que, para regularizar a situação, a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos terá que apresentar projetos adequados de operação do quadro elétrico das locomotivas; Ordem de Serviço de Saúde e Segurança no Trabalho para os empregados, além de fornecer e exigir o uso de EPI e EPC; capacitar os empregados; elaborar procedimento de trabalho em locomotiva e acoplagem.
“A empresa terá que melhorar a comunicação entre os manobradores e maquinistas também como medida de segurança”, acrescenta o Auditor-Fiscal. Algumas das formas seria o uso de um rádio, câmeras de ré e roupas com sinalizadores que proporcione melhor contato visual.
Os trens interditados fazem o trajeto de cerca de 30 quilômetros, entre o município de Caucaia e a capital Fortaleza.