Trabalho escravo – Grife acusada de explorar trabalhadores enfrenta protesto e críticas de clientes


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
25/05/2012



25-5-2012 – Sinait


A grife Gregory, que foi flagrada por Auditores-Fiscais do Trabalho utilizando trabalho escravo em sua cadeia produtiva, enfrentou críticas de internautas e clientes em sua página no Facebook e também um protesto em frente a uma de suas lojas em São Paulo.

 

Os cidadãos que se manifestaram no Facebook afirmaram que as imagens são prova de que os trabalhadores estavam submetidos a condições degradantes e cobram da empresa a fiscalização de seus fornecedores, pois é também responsável pela situação dos imigrantes que produzem as peças vendidas pela rede.

 

A manifestação em frente à loja foi organizada pela União Geral dos Trabalhadores – UGT e reuniu representantes do Sindicato dos Comerciários, buscando, principalmente, conscientizar o consumidor para se informar sobre as condições em que os produtos que adquire são fabricados. Para os sindicalistas as empresas têm responsabilidade de fiscalizar seus fornecedores e exigir que cumpram a lei.

 

Veja matérias alusivas ao assunto:

 

24-5-2012 – Repórter Brasil

Após flagrante de escravidão, Gregory é questionada pelo Facebook

 

Compradores da grife pressionam empresa pela rede social e cobram providências em relação aos problemas constatados pela fiscalização em oficinas que produziam peças da marca

 

Por Bianca Pyl

 

Na mesma semana em que o fragrante de trabalho escravo em oficinas que produziam peças da grife Gregory foi noticiado, dezenas de consumidores da marca escreveram mensagens cobrando esclarecimentos e providências da empresa por meio do Facebook. Frente à pressão, a Gregory chegou a publicar em sua página na rede social uma nota insistindo não ter responsabilidade pelas condições de degradação humana as quais os costureiros foram submetidos e insistiu que as peças eram compradas de fornecedores. Consumidores, no entanto, escreveram comentários defendendo que a empresa deveria ter cuidado em fiscalizar as linhas de produção das peças que vende e reclamaram. Muitos se disseram "chocados" ao ver as imagens e saber das condições em que as peças eram produzidas.

 

O Ministério do Trabalho e Emprego flagrou trabalho em condições análogas às de escravos em quatro oficinas que costuravam para a marca. A Repórter Brasil acompanhou todas as fiscalizações. Ao todo 23 pessoas foram libertadas pelos fiscais. Elas estavam submetidas a condições degradantes de trabalho, servidão por dívida, cerceamento de liberdade, entre outras violações aos Direitos Humanos e à legislação trabalhista. O Ministério do Trabalho e Emprego lavrou 25 autos de infração contra a Gregory por conta das irregularidades constatadas nas diligências. A internauta Ande Maria, considerou o caso "inveja da oposição", contudo a maioria dos comentários cobra a empresa sobre o ocorrido. 

 

A consumidora Leni Segovia pediu esclarecimentos. "Adoro a Gregory, mas gostaria de ver os documentos de esclarecimento da situação". Alê Parda também cobrou provas da empresa. "Vão à imprensa e apresentem provas. Vocês não fiscalizam, controlam seus fornecedores, instalações? Deveriam". Já Chico Aranha questionou o fato de a empresa não ter aceitado assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público do Trabalho. "Porque não assinaram então o Termo de Ajuste de Conduta proposto pelo Ministério Público?".



A responsabilidade em relação aos contratados foi ressaltada por Lelia Martin. "Que pena Gregory! Quando contratamos terceiros, também somos responsáveis por esses atos, por isso que tem que fiscalizar". Cristine Prestes disse que "assim como na Zara, não pisa mais na Gregory". A mesma consumidora disse ainda que "a Gregory pode apresentar seus esclarecimentos, mas não pode ir contra os fatos: alguns de seus fornecedores empregavam mão de obra sem qualquer direito trabalhista e inclusive impedindo as pessoas de sair dos locais de trabalho, que, aliás, são lamentáveis. As fotos estão na internet, basta dar uma olhada. Isso é condição análoga à de escravidão".

 

Outro lado

A marca postou nota em resposta aos internautas dizendo que a informação que a empresa utiliza trabalho escravo não é verdadeira "a fiscalização sempre soube disso - e a Gregory, que não produz nenhuma peça de roupa, está apresentando suas defesas nas esferas competentes. Alguns de nossos fornecedores utilizaram mão-de-obra em situação precária na produção de nossas peças, através do repasse indevido e não autorizado de nossos pedidos. A Gregory não compactua com essa postura, paga preços de mercado pelas mercadorias que revende e está aprimorando seus critérios de seleção e auditoria de fornecedores, numa tentativa de evitar que esses fatos se repitam".

 

Além da pressão pelas redes sociais, a empresa enfrentou também cobranças em sua sede, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. O Sindicato dos Comerciários realizou na quinta-feira (24) uma manifestação em frente a empresa para protestar contra o uso de mão-de-obra escrava pela rede de lojas.

 

 

24-5-2012 – Agência Brasil

Trabalho escravo: manifestantes protestam em frente à Gregory

 

Com correntes penduradas no pescoço e muitas bandeiras da União Geral dos Trabalhadores (UGT), manifestantes fizeram, no início da tarde desta quinta-feira (24), um protesto em frente à loja Gregory, localizada na Avenida Henrique Schaumann, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

 

A motivação do protesto, segundo os manifestantes, é porque, recentemente, foi divulgado que a grife de roupas femininas está sendo investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por ter contratado oficinas de confecção que utilizam trabalho escravo. Durante a manifestação, a loja fechou suas portas.

"A Gregory foi pega [usando trabalho escravo], há cerca de dez dias, e está sendo acusada, na denúncia do Ministério Público do Trabalho, por trabalho escravo. No setor de produção das oficinas, há trabalho escravo, principalmente de imigrantes bolivianos", disse o diretor de relações sindicais do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Josimar Andrade.

 

Durante blitz em quatro oficinas, fiscais da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego de São Paulo flagraram um grupo de 23 trabalhadores, a maioria bolivianos, que estariam trabalhando em situação análoga à escravidão.

 

Segundo Andrade, a manifestação pretende também tentar conscientizar o consumidor sobre seu papel no enfrentamento desse problema. "O consumidor deve exigir que as empresas tenham responsabilidade social, com boas práticas e boas políticas, sem praticar trabalho análogo à escravidão", disse.

 

Por meio de nota, a diretora de Marketing da Gregory, Andrea Duca, nega a acusação e diz que a empresa jamais empregou mão de obra de forma irregular. Segundo Andrea, o problema está nos fornecedores.

"A empresa jamais empregou mão de obra em situação irregular e, inclusive, colaborou com a fiscalização, para que as irregularidades fossem resolvidas imediatamente, pelos próprios fornecedores envolvidos. Este fato, infelizmente, foi omitido pelo Ministério do Trabalho, mas está devidamente comprovado por documentos", diz a empresa. A Gregory também informou que está aprimorando seus critérios de seleção de fornecedores para evitar que esses fatos se repitam.

 

Para Andrade, por ser parte da cadeia de produção e venda das roupas, a Gregory também tem grande responsabilidade sobre esse problema. "Eles são responsáveis sim. É muito fácil a empresa contratar um fornecedor e não ir lá vistoriar para ver se ele está cumprindo o que acordou no contrato. As empresas podem criar mecanismos administrativos para monitorar isso", disse ele.

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