O dia 28 de abril é marcado, no Brasil, como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, data que coincide com o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. Mais do que uma referência simbólica, o marco reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas, fiscalização e práticas empresariais voltadas à prevenção, em um cenário de mudanças profundas no mundo do trabalho.
Dados recentes da Organização Internacional do Trabalho indicam que fatores de risco psicossociais, como jornadas extensas, pressão excessiva, assédio e falta de apoio organizacional, estão associados a mais de 840 mil mortes por ano no mundo, especialmente por doenças cardiovasculares e transtornos mentais.
No Brasil, os números confirmam a gravidade do problema. Informações do SmartLab e da Previdência Social mostram que, em 2025, houve aproximadamente 546,2 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais — um aumento de 15,7% em relação a 2024. Os casos mais frequentes estão ligados a ansiedade e depressão. As mulheres concentram 63,5% dos afastamentos, evidenciando desigualdades estruturais no mercado de trabalho e maior exposição à sobrecarga.
Dados das mesmas fontes reforçam a dimensão dos impactos dos acidentes e doenças do trabalho. Foram registrados 35.206 óbitos de Trabalhadores com Carteira
assinada decorrentes de acidentes de trabalho, desde 2012, um óbito a cada 3h 33m 56s, dentre os notificados. No mesmo intervalo, foram perdidos mais de 573,7 milhões de dias de trabalho, enquanto os gastos com benefícios acidentários pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social somaram aproximadamente R$ 173,9 bilhões, evidenciando o elevado custo social e econômico da falta de prevenção.
Especialistas apontam que o risco psicossocial não se limita ao indivíduo, mas está diretamente relacionado à forma como o trabalho é organizado e gerido. Jornadas superiores a 48 horas semanais, que é a realidade de 35% dos trabalhadores no mundo e a exposição à violência e ao assédio, que atinge cerca de 23% da força de trabalho global, são fatores críticos. Ambientes ondes as funções de cada um não são definidas, pouca autonomia e ausência de diálogo institucional tendem a ampliar esses riscos, impactando diretamente na produtividade.
As transformações tecnológicas, como o trabalho remoto, modelos híbridos e o uso intensivo de inteligência artificial, também tornam o cenário mais complexo. Se por um lado ampliam a flexibilidade, por outro podem intensificar o controle excessivo e confundir os limites entre trabalho e vida pessoal, aumentando e intensificando fatores de adoecimento.
Nesse contexto, a atuação dos Auditores Fiscais do Trabalho se consolida como elemento central na proteção dos trabalhadores. Responsáveis por fiscalizar o cumprimento da legislação e promover ambientes laborais seguros, esses profissionais desempenham papel estratégico na identificação de riscos, na orientação de empregadores e na garantia de direitos fundamentais.
Alguns avanços são registrados em relação a regulação desse novo cenário. Exemplo disso, a Norma Regulamentadora nº 1 - NR-1, que estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, passou a reforçar a necessidade de gestão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A norma amplia o enfoque preventivo, exigindo que empresas identifiquem, avaliem e controlem fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores.
Neste 28 de abril, a mensagem é clara "ambientes de trabalho seguros e saudáveis não são apenas uma exigência legal ou ética, mas uma condição indispensável para o desenvolvimento econômico sustentável e para a proteção da dignidade humana".