O Instituto Nacional de Câncer – Inca divulga pesquisa a partir de dados internacionais que comprova que aproximadamente 4% das mais de 518 mil trabalhadores que receberão diagnóstico de câncer no mundo em 2012 terão o ambiente de trabalho ou exercício profissional como razão da doença. O Brasil ainda não tem dados específicos sobre o tema, o que pode significar uma incidência maior que a média apurada pela pesquisa, chegando à casa dos 16% num universo de cerca de 83 mil casos.
Para relatar os casos no país, o Inca divulgou, nesta semana,a publicação “Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho”, que será avaliado por um grupo de representantes dos ministérios da Saúde, do Trabalho e da Previdência Social. Determinados tipos de câncer serão relacionados ao trabalho, sendo incluídos nas estatísticas. Para o Inca, tanto o trabalhador, como o empregador e o governo precisam conhecer melhor os riscos das atividades.
Esta é mais uma abordagem para ajudar a construir estatísticas reais sobre adoecimentos e acidentes do trabalho no Brasil. O tema é abordado pelo Sinait na Campanha Institucional 2012 “Acidentes do Trabalho”. No folder da campanha, o Sindicato denuncia o alto número de acidentes de trabalho no país, porém, alerta que o número pode ser muito maior, uma vez que muitos acidentes e doenças não são comunicados ou não são tratados como ocorrências ligadas ao mundo do trabalho.
A campanha do Sinait denuncia os mais de 700 mil acidentes de trabalho que acontecem todos os anos, somente no campo da formalidade, e enfatiza o papel fundamental da Fiscalização do Trabalho na prevenção de acidentes e adoecimentos. O aumento do número de acidentes nos últimos anos é uma das consequências da redução do número de Auditores-Fiscais do Trabalho, que hoje são cerca de três mil em atividade.
Veja outros aspectos da pesquisa nas matérias abaixo:
1º-5-2012 – Folha de São Paulo
Câncer ligado ao trabalho atingirá 20 mil
Estimativa do número de vítimas da doença por causa laboral no país neste ano é do Instituto Nacional de Câncer
Tumores causados por exposição a produtos químicos ou radiação no emprego passarão a ser contabilizados
VENCESLAU BORLINA FILHO - DO RIO
Estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) baseada em estudos internacionais mostra que cerca de 4% das 518.510 pessoas que vão receber diagnóstico de câncer neste ano terão o trabalho como causa da doença.
O Brasil ainda não tem dados oficiais sobre os cânceres ligados ao trabalho, por isso os números são só estimados. A proporção de tumores com causa laboral pode ser até maior, de 16% (82,9 mil ocorrências).
São 19 os tipos de câncer que podem ser ligados ao trabalho, diz o Inca. Entre os principais estão os de pulmão, pele, laringe, bexiga e as leucemias. Os profissionais em risco vão desde cabeleireiros até pilotos de avião.
De acordo com o diretor de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Neto, o SUS deve ter, até 2016, um protocolo para registrar esses casos e formar um banco de dados.
Ontem, no Rio, o Inca publicou um documento com as diretrizes do registro, que será conduzido por uma comissão de representantes dos ministérios da Saúde, do Trabalho e da Previdência.
"Esse trabalho que está começando é uma dívida que se tem com a sociedade. O que é feito atualmente não é suficiente", disse Franco Neto.
"O trabalhador precisa conhecer os riscos da sua atividade e nós devemos conhecer o risco para o trabalhador. Com as diretrizes, isso será possível", disse uma das organizadoras do documento do Inca, Ubirani Otero.
Dados da Previdência Social de 2009 mostram que, dos 113.801 auxílios-doença por câncer pagos, apenas 0,66% foi registrado como tendo relação ocupacional. O câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil.
PROFISSÃO DE RISCO
Entre os postos de trabalho com as maiores incidências da doença estão os relacionados à construção civil e à indústria petroquímica.
Um levantamento-piloto feito de 2008 a 2010 em casos de câncer de bexiga identificou que 14,4% (467) dos registros hospitalares relataram trabalho na agropecuária. Em seguida estavam os trabalhos como doméstica e na construção civil.
30-4-2012 – Instituto Nacional do Câncer
INCA lança a publicação "Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho"
30/04/2012 - Para facilitar a identificação da causalidade de determinados tipos de câncer por agentes específicos e levar a políticas públicas de revisão dos ambientes de trabalho insalubres, o INCA lançou nesta segunda-feira, 30, a publicação Diretrizes para a vigilância do câncer relacionado ao trabalho.
De acordo com a publicação, pelo menos 19 tipos de tumores – entre eles os de pulmão, pele, fígado, laringe, bexiga, mama e leucemias – estão relacionados à ocupação e ao ambiente de trabalho. E trabalhadores de algumas profissões, como as de cabeleireiro, piloto de avião, comissário de bordo, farmacêutico, químico e enfermeiros são muito mais propensos ao desenvolvimento desses tumores.
O lançamento contou com a presença do diretor do Departamento de Vigilância da Saúde Ambiental e da Saúde do Trabalhador da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Neto e do diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini. Guilherme destacou que o “documento é absolutamente estratégico para que se conheça as informações e se aborde a vigilância do câncer de maneira adequada”.
Ele sugeriu que o material seja apresentado formalmente ao ministro da Saúde, aos secretários do Ministério e a instâncias como Conselho Nacional de Saúde, Conselho de Secretários Municipais e Estaduais de Saúde. “Esses atores podem pautar a agenda e estabelecer prioridades”, frisou.
Guilherme acha importante, ainda, que além da Saúde, os atores das áreas de Trabalho e Previdência também sejam sensibilizados para a questão da exposição dos trabalhadores a risco de câncer devido à ocupação desempenhada. E por fim, que todos os profissionais de saúde sejam capacitados para fazer as anotações corretamente quando do diagnóstico de um câncer relacionado ao trabalho.
Santini disse que era muito recompensador ser o diretor do INCA quando a instituição apresentava esse trabalho. “Além de trazerem diretrizes e orientações, essa publicação é uma homenagem a todos os trabalhadores. Quero agradecer a dedicação da equipe que produziu o documento e aos colaboradores externos que contribuíram na sua elaboração.”
Cada capítulo da publicação foi escrito por um grupo de especialistas e submetido à análise de um comitê de consultores. O objetivo é oferecer aos profissionais de saúde subsídios, por meio de orientações técnicas e epidemiológicas, para buscar na história pessoal e profissional do paciente, informações ou indícios de contato com compostos potencialmente cancerígenos no ambiente ou no processo de trabalho.
Além das substâncias mais comumente associadas ao desenvolvimento de tumores, como o amianto (ou asbesto), classificada pela Organização Mundial da Saúde como cancerígena para humanos desde 1987, produtos aparentemente inofensivos, como poeiras de cereais, de madeira e de couro, e até mesmo medicamentos (os antineoplásicos) podem provocar câncer.