Blog Vi o Mundo trata da terceirização do trabalho


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
13/03/2012



O Blog “Vi o Mundo”, coordenado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, trouxe uma matéria assinada pelo blogueiro no último domingo, 11 de março, sobre a tramitação do Projeto de Lei 4.330/2004, que trata da regulamentação da terceirização de mão-de-obra, na Câmara dos Deputados. O blog repercute a opinião da bancária Ana Tércia Sanches, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, para quem o PL será prejudicial aos trabalhadores. 


Azenha é uma jornalista experiente, que já passou pelas redações das principais emissoras de TV do país. No cabeçalho do blog está escrito “O que você não vê na mídia”, explicitando a opção do jornalista por tratar de temas mais espinhosos que normalmente não têm espaço em rádios, TVs e jornais. A terceirização do trabalho é um desses temas que colocam em campos opostos trabalhadores e empresários, e que não é profundamente discutido nos veículos tradicionais. 

 

Além de dar oportunidade à sindicalista para expressar sua opinião, a matéria é informativa e dá a posição da discussão atual no Congresso e classifica a terceirização como a maior ameaça aos direitos trabalhistas desde a criação da CLT. 

 

Boa leitura! 

 

11-3-2012 – Blog Vi o Mundo

 

Terceirização: A maior ameaça aos direitos trabalhistas desde a CLT       

 

Luiz Carlos Azenha – jornalista e blogueiro 

 

Está em andamento, de forma quase silenciosa, o maior ataque aos direitos trabalhistas no Brasil desde que foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, em 1943. 

 

A avaliação é da diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ana Tércia Sanches. Trata-se do projeto de lei 4.330, de autoria do deputado Sandro Mabel, do PMDB-GO, que regulamenta a terceirização em quase todos os setores da economia brasileira. É o que os sindicalistas chamam de reforma trabalhista às avessas. 

 

"Desde os anos 1990 é vontade das elites, dos empresários promover uma reforma não para ampliar, mas para retirar direitos", diz Ana Tércia. 

 

Hoje existem na Câmara dos Deputados 26 projetos que tratam do tema. Por conta disso, foi criada uma comissão especial que propôs um substitutivo ao projeto de Sandro Mabel. O PL do deputado federal goiano está para ser analisado em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ou seja, se passar pela comissão vai direto para análise do Senado. 

 

A terceirização é tolerada nos dias de hoje, a partir de enunciados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em áreas como a limpeza e a segurança. Ainda assim, segundo Ana Tércia, são setores muito sujeitos às fraudes. 

 

As empresas tomadoras contratam as de terceirização através de leilões de menor preço, aumentando a pressão para que estas descumpram normas básicas previstas na legislação trabalhista. Para garantir seu lucro, as terceirizadas muitas vezes deixam de depositar o Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS) ou o INSS de seus trabalhadores, atrasam ou deixam de pagar salários. 

 

Em outras palavras, a bomba estoura no colo dos trabalhadores, esmagados entre o patrão e o sub. 

"Muitas vezes a empresa fecha, evapora do mapa. Reabre com outro CNPJ. Quem fica na mão são os trabalhadores", diz Ana Tércia. 

 

Ela prevê que a regulamentação da terceirização para outros setores da economia apenas ampliaria o problema. 

 

"Esta é uma tendência que vem dos anos 90. A Nike, por exemplo, só faz a gestão da marca, a propaganda e o desenvolvimento do produto. Os bancos e outros setores da economia querem se livrar do trabalho. Colocar entre eles e os trabalhadores outra empresa, que também visa lucro", afirma a sindicalista. 

 

Ana Tércia dá um exemplo com o setor bancário. Nos anos 90 existiam no Brasil 700 mil bancários. De lá para cá, a economia cresceu enormemente, o setor financeiro e de crédito também mas o número de sindicalizados caiu para 430 mil trabalhadores. 

 

"Onde está a diferença? Nos terceirizados, que ganham 60% menos que os bancários", afirma. O processo, segundo ela, rompe "processos civilizatórios que foram fruto da luta dos movimentos sociais". 

 

Para tentar barrar o avanço do projeto, os trabalhadores decidiram ampliar a coalizão formada por sindicatos e centrais sindicais, para incluir acadêmicos, jornalistas e juízes do trabalho. De acordo com Ana Tércia, para evitar as acusações de que os sindicatos estão agindo de forma corporativa e pensando apenas no imposto sindical. 

 

O objetivo, portanto, é demonstrar que a terceirização tem um custo social alto e contribui com a concentração de renda, já que transfere renda dos trabalhadores para os empresários. No ano passado, o vice-presidente do TST, João Oreste Dalazen, promoveu uma audiência pública sobre a terceirização.  

 

Os trabalhadores decidiram criar um Fórum e vão promover um seminário sobre o tema em 12 e 13 de abril, na Unicamp, em São Paulo.

 

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